Homofobia em questão no Brasil

Enviada em 25/10/2018

De acordo com um levantamento do Grupo Gay da Bahia, em 2017, 445 homossexuais e transgêneros foram assassinados ou se suicidaram vítimas da “LGBTfobia”, levando o Brasil a campeão mundial desse tipo de crime. O homossexualismo foi tratado como inversão congênita e doença mental por muitos anos, fato este que contribuiu para a persistência das práticas homofóbicas na sociedade. A ignorância da população e a inocuidade governamental em criminalizar a homofobia torna factível a realização de tal prática. Portanto, a questão da homofobia deve ser debatida e superada para que uma sociedade integrada seja alcançada.

Em primeiro plano, a ignorância por parte da população impede que gays possam exercer livremente a sua cidadania ou viver em segurança. A incompreensão acerca da homossexualidade é reflexo de décadas atrás, aonde pessoas consideradas aberrações eram depositadas em hospitais psiquiátricos visando a cura. Estima-se que no Hospital de Barbacena 60 mil pessoas foram mortas devido aos tratamentos de choques, dentre elas estavam gays que não eram aceitos por suas famílias à época. É inegável que, mesmo após 26 anos da retirada do homossexualismo da classificação de doença pela OMS, é de difícil compreensão da sociedade que ser gay é uma opção individual e não uma doença, inversão congênita ou desvirtuação religiosa.

Além disso, em Leviatã, Thomas Hobbes faz uma crítica a inocuidade governamental ao defender que o Estado tem o dever de proteger o cidadão, tanto quanto de garantir sua dignidade. Isso porque, os ataques homofóbicos, em muitos casos fatais, são movidos por preconceito e fruta da ignorância que perpetua-se há mais de século. Com isso, a inocuidade do governo brasileiro em lidar com tais acontecimentos, gera certeza da impunidade por saber que o crime é tratado como outro qualquer ou gera apenas um processo, fazendo com que as pessoas ajam de forma agressiva com aqueles que são visto socialmente como doentes ou que não tiveram boa estruturação familiar.

Dessarte, faz-se necessário que sejam tomadas medidas para minimizar a homofobia. Cabe à mídia, explorar a questão da homofobia, tanto na teledramaturgia quanto em programas de entretenimento, apresentando a homossexualidade na sua essência para os telespectadores, quebrando tabus e desmistificando esta como doença ou falta de educação por parte dos país. E também, compete ao Governo, debater e fazer valer a criminalização dos ataques homofóbicos, desde xingamentos até a lesão corporal, e ainda, promover programas sociais que visem a educação populacional acerca da homossexualidade. Debater sobre ‘‘LGBTFobia’’ é mister para alcançar uma sociedade menos preconceituosa e violenta, permitindo que todos vivam sem medo e com dignidade.