Homofobia em questão no Brasil

Enviada em 31/10/2018

O inglês Alan Turing foi um grande matemático e também proporcionou avanços significativos na área tecnológica, sendo considerado o pai da computação. Sua homossexualidade resultou em um processo criminal, pois em tais atos eram ilegais no Reino Unido, sendo submetido a castração química. Embora hoje em dia tal ato não seja mais um crime, a mentalidade preconceituosa perpetua até a contemporaneidade e ainda se faz dominante na população. Nesse sentido, faz-se necessária a discussão desse tema e busca de soluções para tal problemática.

Em primeiro lugar, podemos atrelar o discurso homofóbico à raízes históricas. Nos países de formação católica, a igreja estabeleceu um modelo de união afetiva padrão, representado por um homem e uma mulher e devido ao poder da fé na sociedade, tal visão se consagrou como absoluta, instalando uma aversão a outra modelos afetivos. Tal repudio é evidenciado através dos altos índices de violência, onde segundo o senado, o Brasil o pais que mais mata LGBTs em todo o mundo, sendo uma nova morte a cada 19 horas. Em consequência disso, inúmeras pessoas sentem medo de demonstrar sua sexualidade em áreas publicas com medo de represálias.

Além da relação histórica, podemos atrelar a mídia como perpetuadora de preconceitos através de personagens caracterizados e estereotipados. Existe na grande imprensa uma visão padrão do homossexual, e geralmente é usada com o intuito de produzir o riso. Em 2011, na novela Fina Estampa, o personagem “crô” era alegre, feminino e engraçado, porem era submisso e ridicularizado a fim de produzir humor a partir de sua sexualidade. Dessa forma, os veículos midiáticos desfavorecem a comunidade homossexual, perpetuando piadas depreciativas, imitações pejorativas e o discurso de ódio.

Fica claro, portanto, a necessidade de medidas para combater a homofobia. A escola deve atuar por meio de palestras, a fim de quebrar paradigmas instaurados e também promover a discussão sobre a variedade sexual existente. Ademais, a mídia, com seu grande poder de influencia, deve apresentar ficções engajadas, mostrando um LGBT como pessoa normal, merecedora de respeito, buscando desconstruir tais visões pejorativas e combater os discursos homofóbicos. Para que dessa forma, a sociedade se torne mais acolhedora e receptiva para com os homossexuais, celebrando sua diversidade, e não repetindo a mesma sentença dada a Alan Turing no século XX.