Homofobia em questão no Brasil

Enviada em 30/10/2018

De acordo com Betinho, sociólogo e ativista brasileiro, só haverá um desenvolvimento humano na sociedade civil, se ela afirmar cinco pontos fundamentais: a diversidade, a igualdade, a participação, a solidariedade e a liberdade. Contudo, a esfera social brasileira ainda promove a escassez de alguns desses aspectos, com destaque para a falta do caráter igualitário e participativo sofrida pela camada LGBT (lésbicas, gays, bissexuais, transexuais, travestis e transgêneros). Sob essa perspectiva, a homofobia, disseminada por ferramentas tecnológicas, além de ser fomentada pela carência de representatividade em cargos públicos, persiste no âmbito nacional.

Em primeira análise, denota-se o ambiente cibernético. A Revolução Industrial, ocorrida no século XVIII, atrelou a tecnologia ao cotidiano do homem moderno. Nesse viés, celulares, computadores e redes sociais transformaram-se em elementos fixos da atual humanidade. Entretanto, esses modelos de comunicação, que deveriam ser sinônimos de integração, tornaram-se, na contemporaneidade brasileira, canais de disseminação do preconceito contra orientação sexual e identidade de gênero. Diante disso, comentários de cunho machistas e homofóbicos depositados em fotos compartilharas, como nas da cantora Pabllo Vittar, uma drag queen, infelizmente, perpetuaram-se como uma característica presente no Instagram e no Facebook.

Outrossim, o ambiente sociopolítico brasileiro sofre com a defasagem de representação LGBT em seu cenário. Nesse sentido, ainda são poucos os senadores e deputados, como Jean Wyllys, assumidamente homossexuais, que lutam pela igualdade social desse grupo. Dentro dessa óptica, é evidente a imensa falha governamental na prática de ações, em partidos políticos, que objetivem a inclusão de representantes LGBT’s; o que faz com que esse público não consiga ter e nem dar voz a luta contra a homofobia, a qual ainda não é caracterizada como crime.

Destarte, é perceptível a negligência social, visando a igualdade e a participação política, vivida pela comunidade LGBT. Portanto, cabe ao Governo Federal, aliado aos órgãos de segurança pública, a promoção de ações fiscalizadoras, bem como a fomentação de denúncias, implantadas com maior eficácia em redes sociais, que visem combater qualquer tipo de discriminação, seja no ambiente físico ou virtual. Além disso, compete ao Ministério Público, unido ao Poder Legislativo, a criação de uma lei específica que institua cotas, nos mais diversos partidos políticos brasileiros, voltadas ao público LGBT. Dessa forma, o Brasil poderá gozar de uma característica ainda escassa em sua realidade: o respeito frente a personalidade alheia.