Homofobia em questão no Brasil

Enviada em 27/10/2018

Retorno à caverna

Stefan Zweig, ao se refugiar no Brasil fugindo do nazismo europeu, ficou impressionado com o potencial da nova casa e escreveu um livro cujo título é, até hoje, repetido: Brasil, país do futuro. No entanto, ao observar os casos de violência contra a comunidade LGBTQ na atualidade percebe-se que a profecia não se cumpriu. Desse modo, faz-se necessário encontrar soluções pois esse problema é nocivo ao convívio em sociedade.

Em primeiro plano, destaca-se o artigo 5° da Carta Magna do país que diz que todos os indivíduos são iguais perante a lei. No que tange à questão dessa parte da população considerada minoria, nota-se que o artigo em questão não é cumprido efetivamente haja vista as dificuldades enfrentadas seja ao tentar adotar uma criança, a doação de sangue, a inserção no mercado de trabalho, entre outros. Com isso, ferindo a Constituição e potencializando a discriminação contra esse grupo.

Outrossim, a perseguição aos homossexuais comumente vista em regimes ditatoriais como o nazismo na Alemanha e até na ditadura militar de 64 no Brasil, tem sido presenciada em países cuja democracia reina soberana. Esse fato mostra-se preocupante já que evidencia a ascensão do retrocesso mental e preconceito que estamos vivendo. A exemplo disso, temos o caso da travesti Dandara dos Santos que foi covardemente assassinada em 2017 e o crime foi amplamente divulgado nas redes sociais.

Além disso, a homossexualidade foi considerada patologia durante muito tempo. Somente na década de 90 que a OMS a retirou da lista de doenças e o termo “homossexualismo” é tido como pejorativo. Apesar dessa alteração ter ocorrido há quase 30 anos, a mudança da mentalidade ocorre em um processo mais lento principalmente em pessoas de idade mais avançada que mostram maior resistência em aceitar a diversidade sexual e continuam propagando o que foram ensinadas quando mais jovens e, assim, perpetuando o comportamento homofóbico.

Pode-se perceber, por conseguinte, que a sociedade parece viver um escurecimento progressivo de ideias e valores, numa jornada inversa à da busca da humanidade pela luz descrita na alegoria da caverna de Platão. Para reverter essa conjuntura, o Poder Legislativo poderia criar uma nova lei que criminaliza atos que ofendem ou violem a integridade física, mental e psicológica dos LGBTQs no molde da PL 122, projeto de lei anti-homofobia que foi arquivado no Senado. Ademais, a família em consonância com a escola poderia ensinar as crianças a respeitar as diferenças desde a infância de modo que se tornem adultos conscientes. Dessa forma, quem sabe a humanidade evite de trilhar seu caminho de retorno à caverna.