Homofobia em questão no Brasil

Enviada em 30/10/2018

Heterogeneidade com harmonia na sociedade

É de conhecimento geral que qualquer tipo de intolerância existente em determinado país gera estatísticas desconcertantes sobre a harmonia de sua sociedade. No Brasil, os homossexuais compõem uma das minorias sociais que mais sofrem com ataques de diferentes formas, o que inclui assassinatos, dos quais os números ultrapassaram a casa das quatro centenas em 2017, segundo o Grupo Gay da Bahia (GGB).

Essa realidade, presente em outros lugares do mundo, se deve ao fato de que o debate sobre corporeidade ter sido abandonado por cerca de dois séculos. Durante esse período, imergiu-se na busca pela verdade sobre o sexo. Com isso, ele foi construído de duas formas: a científica, que é ensinado hoje nas escolas; e a moral, daquilo que é legitimado ou reprimido no ato sexual pela sociedade, ou seja, a heterossexualidade como forma pura.

Um dos principais filósofos que retomam o debate é Michel Foucault. O francês trata da microfísica do poder e afirma que seu lugar de exercício é o próprio corpo, o que resulta na resistência daquilo que é imposto ao indivíduo, inclusive a cultura em que ele está inserido. Esse conceito possibilitou uma nova visão da sexualidade, atrelada ao bem-estar individual, tão importante na sociedade contemporânea.

Por ser um preconceito construído culturalmente por séculos, punir de forma tradicional os indiciados pelo crime de homofobia não é a melhor forma de tratar o problema. Conscientizar, nesses casos, é muito mais eficiente do que aprisionar. Um preso dificilmente muda seu pensamento.

Em virtude do que foi apresentado, conclui-se que a homofobia é um problema cultural que só pode ser superado nas próximas gerações. E com o diálogo. Para tal, a educação deve incentivar o respeito mútuo e a tolerância, por meio de debates nas salas de aula, quando indivíduos estão prestes a se formarem como autônomos no pensamento. Cria-se, assim, uma sociedade harmoniosa que sabe viver com sua heterogeneidade.