Homofobia em questão no Brasil

Enviada em 30/10/2018

Em 1952, o inglês Alan Turing - considerado o pai da computação - foi condenado à castração química por sua orientação sexual. Embora tenha colaborado com o seu país durante a guerra, nessa época a homossexualidade era tratada como crime, sendo descriminalizada anos depois. No entanto, hodiernamente, o preconceito associado a união homoafetivo ainda se faz presente. Nesse contexto, convém analisar como a sociedade e a ordem pública garantem a perpetuidade desse impasse.

Em primeiro plano, é imprescindível apontar a falta de empatia e a omissão de denúncias como fator corroborante para práticas homofóbicas no Brasil. Partido desse pressuposto, conforme defendido pelo sociólogo Zygmunt Bauman, a fluidez nas relações e o forte individualismo presente na sociedade atual, carrega consigo uma indiferença para com o próximo. Por conseguinte, segundo dados do Grupo Gay da Bahia, a  cada 28 horas uma pessoa morre vítima de homofobia no país.

Além disso, desde a época colonizadora em que Igreja determinou que o padrão de união afetiva fosse aquele composto por homem e mulher, o público LGBT têm de lidar com o forte preconceito e a falta de representatividade intrínseca ao Estado Brasileiro. Sendo assim, é preciso que o combate a homofobia derive, também, dos três poderes, pois, em concordância com o sociólogo Nick Couldry, a desigualdade da fala garante a invisibilidade de grupos historicamente desfavorecidos.

Infere-se, portante, a necessidade de medidas que desconstrua esse preconceito e efetive o combate a homofobia no país.  Dessa forma, cabe ao Ministério da Educação, em parceria com psicólogos, a promoção do debate acerca da pluralidade associada a solidariedade social no intuito de fundamentar as próximas gerações. Ademais, é preciso que haja a eleição de representantes dessa classe engajados na luta pela efetivação de seus direitos constitucionais. Espera-se, com isso, que essa herança histórica seja esquecida e que, de fato, a população LGBT possa viver em harmonia.