Homofobia em questão no Brasil
Enviada em 30/10/2018
Conserva a dor
O livro “Simon vs. Agenda Homo Sapiens”, da autora norte-americana Becky Albertalli, aborda a dificuldade, sobretudo, dos homossexuais, em assumir suas sexualidades, como é o caso do protagonista Simon. Não obstante, esse não é o único obstáculo do público LGBT, visto que, segundo os dados da RedeTrans Brasil e Grupo Gay da Bahia, o Brasil é o país que mais assassina essa comunidade no mundo, além do fato que, até a década de 90, a homossexualidade era incluída como doença mental na lista da Organização Mundial da Saúde (OMS). Dessa forma, é importante a discussão acerca das consequências da homofobia enraizada na sociedade e as possíveis soluções para esse panorama no século XXI.
Em primeira análise, a heterossexualidade é uma construção social, ou seja, uma imposição ou um padrão, por esse motivo a homossexualidade ainda é considerado por muitos “anormal”. Isso acarreta, por exemplo, na falta de aceitação dessa comunidade no país e, até mesmo, na família, tendo em vista que, de acordo com o levantamento do Instituto Data Popular mais de um quarto da população alega que não aceitariam um filho homossexual, além de não aprovarem que os casais do mesmo sexo obtenham os mesmos direitos que os “tradicionais”.
Ademais, apesar de a Comissão de Diversidade Sexual da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) apontar que houve um aumento de 20% nas agressões contra os homossexuais em 2017 e o The New York Times relatar que o Brasil é o país mais perigoso para esse, ainda não há uma lei aprovada que criminalize a homofobia dentro do território. Nesse contexto, é importante ressaltar que os cidadãos homossexuais também sofrem assédio no ambiente de trabalho, visto que um estudo realizado pela Santa Caos comprovou que quase metade dos profissionais LGBT já sofreram discriminação nesses locais, evidenciando, assim, que o mercado de trabalho ainda é hostil para esse grupo.
Em suma, cabe ao Ministério do Desenvolvimento Social criar uma série de campanhas que conscientizem a população sobre os dados alarmantes de violência física, verbal e homicídios contra a comunidade LGBT e tenham a finalidade de fazer com que a população compreenda que homossexualidade não é doença e, muito menos, anormal. Outrossim, o Ministério da Educação deve promover palestras em escolas públicas ou privadas, ministradas por psicólogos ou especialistas em direitos homoafetivos, a fim de conscientizar, também, os jovens sobre esse problema. Dessa forma, é possível construir uma sociedade com menos intolerância, pois, como o filósofo francês iluminista uma vez disse “A primeira lei da natureza é a tolerância”.