Homofobia em questão no Brasil

Enviada em 31/10/2018

Como referido por Isaac Newton, um corpo não terá seu movimento alterado a menos que uma força externa considerável aja sobre ele, sobressaindo sua inércia. Esse é, lamentavelmente, o hodierno cenário da homofobia no Brasil: uma inércia que persiste em detrimento da negligência do Estado, além do preconceito enraizado na sociedade. Assim sendo, convém analisar os principais pilares dessa chaga social.

Vale ressaltar, a princípio, que preocupações associadas à homofobia não apenas existem, como vêm crescendo diariamente. Preliminarmente, de acordo com o artigo 3 da Constituição Federal Brasileira é dever estatal promover uma sociedade igualitária, solidária e desprendida de intolerância, garantindo o desenvolvimento nacional. No entanto, tal prerrogativa não é evidenciada com ênfase, tendo em vista que é corriqueiro evidenciar pelas mídias o alastramento constante de atos esdrúxulos, como violência física e moral, para com esse grupo e, consequentemente, acarretando a acentuação da problemática.

Faz mister, ainda, salientar prenoções presentes no território brasileiro como impulsionador do problema exposto. Elucidando isso, pode-se citar uma matéria publicada pela revista Super Interessante, em maio de 2018, em que foi relatado que os hemocentros brasileiros desperdiçam cerca de 18 milhões de litros de sangue ao ano por preconceito, devido os doadores serem homossexuais. Com isso, dados como esse revelam que o preconceito não existe em apenas uma parcela restrita da sociedade, mas sim em órgãos estatais, o que contribui para a formação de um problema social com dimensões cada vez maiores.

Destarte, forças externas suficientes devem tornar efetivas, vencendo a inércia mencionada inicialmente. Dessa forma, o Poder Executivo deve ampliar os canais de denúncias, por meio da criação de delegacias especializadas em locais estratégicos das grandes cidades, a fim de garantir os direitos adquiridos com a Constituição. Aliado a isso, é necessário que o Ministério da Educação, em parceria com o Governo Federal, financie projetos educacionais nas escolas, por meio de uma ampla divulgação midiática, que inclua propagandas televisivas, entrevistas em jornais e debates entre professores e alunos relatando a importância da aceitação das diferentes opções sexuais, proporcionando o respeito e a integração. Somente assim, com medidas graduais, haverá um copo social igualitário e livre de intransigência.