Homofobia em questão no Brasil

Enviada em 30/10/2018

Segundo a associação internacional ILGA, a comunidade LGBT, cujas orientações sexuais divergem da heteronormatividade, ainda sofre com a atribuição de crime ás suas práticas afetivas em mais de 70 Estados espalhados pelo globo, como é o caso do Egito. No Brasil, a homossexualidade nunca foi, nem é legalmente proibida. Entretanto, nosso país figura entre os protagonistas nos índices de homofobia averiguados pela ONU, o que reflete, assim, um complexo desafio a ser enfrentado. Para tanto, é necessário pôr em destaque o imaginário errôneo a respeito da natureza das relações homossexuais, bem como as raízes histórico-culturais ocidentais, como objetos de estudo para buscar uma solução.

Em primeira instância, é importante apontar o equivocado entendimento de que a homossexualidade se trata de um comportamento exclusivamente humano, e portanto, anormal. De acordo com o documentário “Ultimate Explorer”, do canal científico Discovery, biólogos e outros pesquisadores já registraram práticas que configuram a homoafetividade em mais de 1500 espécies do Reino Animal, incluindo macacos, pássaros e até mesmo besouros. Diante de uma comprovação biológica, é incoerente promover a manutenção de um imaginário coletivo que discrimine os LGBT com base numa suposta inexistência de naturalidade nas suas relações amorosas.

Outrossim, as matrizes tanto históricas como culturais sobre as quais está fundada a sociedade ocidental, na qual inclui-se a brasileira, representam obstáculos para o combate a atos de violência homofóbica. Até o ano de 1990, a Organização Mundial da Saúde classificava o comportamento homossexual como uma doença. Além disso, desde a época das Cruzadas, perpassando outros marcos históricos como o holocausto nazista, até hoje, gays e lésbicas vêm sendo perseguidos exclusivamente em função de suas relações de afetividade. Tais acontecimentos influenciaram a formação da cultura no Brasil, que, por meio da incorporação de ideais estrangeiros, preserva pensamentos retrógrados e excludentes em relação à comunidade LGBT. Isso, por sua vez, fragiliza o pleno exercício do direito de expressão previsto na Constituição de 1988.

Fica claro, destarte, que medidas advindas do Poder Público são cruciais para a resolução da problemática. Urge que o Governo Federal, sendo protagonista na garantia de direitos constitucionais, promova uma campanha de aproximação à cultura LGBT, por intermédio de eventos culturais realizadas via Internet, a serem apresentados por palestrantes como influenciadores digitais e produtores audiovisuais identificados com a comunidade. Espera-se, com isso, apresentar aos internautas a luta e as causas de tal grupo populacional, com o intuito de substituir traços históricos antiquados e isolacionistas por novos, mais compreensivos e inclusivos.