Homofobia em questão no Brasil
Enviada em 01/11/2018
Segundo Bernard Shaw, ‘’ninguém é melhor por ter nascido em determinado país ou família’’, tal afirmação não se encaixa na sociedade brasileira, pois o aumento do número de casos de homofobia demonstram uma ideia oposta a do jornalista irlandês. Dessa forma, a intolerância e o preconceito têm gerado consequências graves a essa parcela da sociedade a qual vem sofrendo diversos tipos de retaliação por causa de sua opção sexual. Nesse contexto, cabe avaliarmos os fatores que ocasionam tal situação.
Em primeira análise, a intolerância em aceitar às diferenças de opções sexuais têm feito com que milhares de pessoas, na maioria dos casos homens, sofram algum tipo de agressão por causa de sua sexualidade. Nessa perspectiva, uma ambiente em que não há respeito está propício para que o preconceito se instale e crie uma zona de conflito, pois o preconceito, segundo Agnes Heller, é um fator de estabilidade de um grupo social o qual parte de classes dominantes sobre a minoria, em que o mesmo se intensifica em momentos de crise da sociedade. Além disso, a não punição às praticas homofóbicas associado ao medo de denunciar faz com que a violência aumente ainda mais.
Em conformidade ao exposto, o estado de anomia do Governo em não punir corretamente os agressores têm gerado consequências, pois o Brasil, segundo o Grupo Gay Bahia, é o país com o maior número de registros de crimes homofóbicos do mundo, demonstrando que o Estado não está cumprindo seu devido papel. Nessa linha de pensamento, na teoria do Estado Social, de John Locke, as pessoas abrem mão de seus direitos para que o Estado cuide de seus subordinados, no entanto, tal ação não se concretiza na sociedade brasileira visto que agredir um homossexual por sua sexualidade não é crime. Contudo, esse panorama não é exclusividade do Brasil; diversos países compartilham dessa realidade em que há países que a prática de homofobia é estimulada pela sociedade como ocorre no Irã e Egito.
Evidencia-se, portanto, a necessidade de medidas que alterem tal situação. Deste modo, cabe ao Governo junto ao Legislativo criar leis para os crimes de homofobia, além disso, devem existir delegacias especiais que tratem desses assuntos, para que, assim, crie um temor maior sobre a população que pratica essas ações. Ademais, instituições de ensino devem buscar o amadurecimento intelectual dos cidadãos por meio de palestras, debates e, se possível, apoio psicológico, para que uma mentalidade aberta às diferenças seja criada, ‘‘pois é preciso mostrar ás pessoas que elas são mais livres do que pensam para quebrar pensamentos errôneos construídos em outros momentos da história’’, como citou Michel Focault, assim, a homofobia será, emfim, vencida.