Homofobia em questão no Brasil

Enviada em 05/12/2018

Laura de Vermont fora espancada e morreu ao estilo descrito por Adelaide Ivanova, em “para laura”, pois tinha sangue para todo lado no seu rosto transsexual, menos em duas listras perpendiculares, por onde as lágrimas do preconceito haviam escorrido. Este fatídico fato da homofobia (des)grassou a comunidade LGBT e o tema da aversão, repugnância, medo e preconceito direcionado aos homossexuais lumiou-se a público.

Com efeito, embora estejamos no século XXI, cerca de 70 países ainda criminalizam a homossexualidade, e, em cerca de seis deles, o comportamento alheio é punido com a morte. Por isso, não se estranha que o planeta terra tenha fechado seus ouvidos aos gritos estridentes da Revolta de Stonewall Inn (Nova York, 1969), cujos manifestantes reclamavam seus direitos contra gratuitas agressões e as descabidas prisões policiais - também presentes na vermelha cena de Vermont.

No Brasil, a homossexualidade não é crime, nem a homofobia. Isso permite que nossa sagrada população religiosa, em atos paradoxais, profira blasfêmias caluniosas, cuspa pela janela do carro e se escandalizasse quando Ronaldinho Fenômeno fora flagrado na presença de seus ignóbeis pecadores. Ora, pura hipocrisia de quem eternizou nas escrituras a cultura fascista contra os LGBTs, ou seja, de quem escolheu beijar o crucifixo da intolerância ao invés da sabedoria da ciência, que descarta a homossexualidade como um transtorno sexual (OMS, 1990).

Portanto, a fim de coibir a homofobia, é necessário que o Ministério da Cultura inclua na pauta educacional brasileira o estudo de conceitos humanitários, como o respeito à diversidade. Desse modo, professoras do ensino fundamental e médio poderiam promover palestras e debates sobre o assunto, visando, preventivamente, a pacificação social. Além disso, o Ministério da Segurança Pública poderia criar delegacias especializadas, como a da Mulheres, para investigar casos de violência e buscar a punição de agressores. Todavia, caso nenhuma dessas medidas sejam adotadas, perpetuaremos uma nova forma de preconceito: a LGBTfobia.