Homofobia em questão no Brasil

Enviada em 18/02/2019

Em 2015, o Mapa da Homofobia no Mundo revelou que nos Estados Unidos cerca de 80% da população LGBT sofre de isolamento social, enquanto isso o Brasil lidera o ranking mundial de assassinatos da mesma. Tais dados ratificam a urgência da questão e mostram que de países desenvolvidos a emergentes o preconceito é cultural e histórico, presente em todo o mundo e grita por resoluções.

Somente em 1991 a Organização Mundial da Saúde retirou o termo “homossexualidade” da Classificação Internacional de Doenças. No entanto, esse avanço não foi acompanhado pela mentalidade social, visto que alguns países como Marrocos e Egito consideram a prática homossexual um crime, já Nigéria e Arábia Saudita possuem uma Política de Estado que pode levar à pena de morte. Dessa forma, discursos intolerantes contribuem para o aumento de crimes de ódio condicionados pela orientação sexual, o que fere o exercício da cidadania e a segurança dos LGBTs.

Em virtude de tais agressividades, a criminalização das ações de intolerância que incluem violência física e verbal, além de discriminação e exclusão social está em pauta de discussão em órgãos políticos. Contudo, o discurso patriarcal e conservador incorporado e naturalizado pela maioria dos brasileiros tornou-se uma barreira para o reconhecimento dos direitos de homossexuais, bissexuais e transexuais. Como consequência, brutalidades e mortes tornaram-se notícias recorrentes nos veículos de comunicação.

Do mesmo modo, estatísticas mostram que entre a comunidade LGBT o número de suicídios é recorrente e aumenta ao passo que cresce a hostilidade presente em todos os espaços de convívio social.

Logo, para mitigar os crimes de ódio e caminhar para reais mudanças de mentalidade e atitudes sociais, a curto e médio prazo é vital que o Poder Legislativo interfira considerando perante a lei os crimes pela condição sexual e punindo de maneira contundente quem o pratica. Ademais, em longo prazo é necessário que informações e debates sejam promovidos em escolas e ambientes de formação educacional, locais que por excelência ensinam sobre a valorização e o respeito às diferenças e que deve, no futuro, formar cidadãos conscientes e livres dos preconceitos pautados em discursos conservadores de ataque.