Homofobia em questão no Brasil
Enviada em 31/03/2019
No filme “Moonlight: sob a luz do luar”, o protagonista Chiron é um jovem, negro e gay, que lida com as dificuldades de uma vida precária e com o preconceito. Com 8 indicações ao Oscar, a temática do filme fez sucesso, porém, infelizmente, a empatia sentida pela história ainda se projeta somente na ficção, fato evidente, principalmente no Brasil, que lidera o registro de crimes homofóbicos.Deve-se então, discutir o que contribui para essa violência e como atenuá-la.
Nesse contexto, o Supremo Tribunal Federal passou a julgar a criminalização da homofobia em fevereiro de 2019. Apesar de ser uma possível conquista para os LGBTs, revela o atraso humanitário que o Brasil se encontra. Como prova desse atraso, homofobia e transfobia já são considerados crimes em mais de 40 países, e a Espanha e Finlândia, por exemplo, criminalizaram essas ações em 1995.Por conseguinte, a atitude do Estado de, até o momento, ter ignorado essa causa, colaborou para o quadro de preconceito e assassinatos LGBTs que instalou-se no Brasil.
De acordo com o Grupo Gay da Bahia, aproximadamente, a cada 25 horas uma pessoa LGBT é assassinada no país. Isso demonstra a intolerância advinda da heteronormatividade enraizada na sociedade e defendida por ignorantes que consideram homoafetividade algo errado.Além disso, o descaso brasileiro com a comunidade LGBT mostra-se também na falta de dados, visto que o Grupo Gay da Bahia é o único que concede levantamentos sobre a discriminação e mortes por conta da orientação sexual. De forma ao parecer que as autoridades fingem não existirem problemas quanto à isso.
Portanto, ainda que o Brasil possa estar progredindo, a demora para chegar até esse momento normalizou o preconceito homofóbico, desse modo, a curto prazo, a criação de apenas uma lei não irá ser o suficiente para o controle da violência contra LGBTs. Assim, é necessário que o Estado demonstre maior preocupação e cuidado com essa comunidade, ao tentar desconstruir esses valores estabelecidos contra os homossexuais, por meio da mídia, ao tornar obrigatório que programas debatam o assunto e que o jornal ao passar casos de homofobia não apenas informe-os, mas repudie-os para que o “algo errado” passe a ser o preconceito. Ademais, as escolas, que tem papel importante na preparação do indivíduo para a vida em conjunto, devem discutir as diferenças que encontramos na sociedade e assim, no futuro, haverá mais adultos tolerantes e respeitosos.