Homofobia em questão no Brasil
Enviada em 10/04/2019
A Constituição Federal (CF), promulgada em 1988, garante a todos os brasileiros o exercício dos direitos sociais e individuais, a liberdade, a igualdade e a justiça, sem qualquer tipo de preconceito de raça, sexo ou religião. Entretanto, essa normativa ainda não é suficiente para que a liberdade afetiva e sexual seja, de fato, assegurada a todos os cidadãos, considerando os inúmeros casos de agressão e hostilidade praticados contra a população LGBT. Nesse contexto, o combate à homofobia é um desafio, e persiste devido não só à lenta mudança na mentalidade social, mas também ao sistema educacional arcaico e excludente.
Em primeira análise, cabe pontuar que, infelizmente, o preconceito está enraizado na cultura brasileira, e tudo aquilo que é diferente ou que não se adequa ao normativo padrão é visto com “desdém”, desrespeito e discriminação. De acordo com Durkheim, o fato social é a maneira coletiva de pensar. Sob essa lógica, é possível perceber que a questão da homofobia é fortemente influenciada pelo pensamento coletivo, uma vez que, se as pessoas crescem inseridas em um contexto social intolerante, a tendência é que esse seja o comportamento adotado, o que torna a transformação cultural ainda mais lenta e desafiadora.
Além disso, o sistema educacional brasileiro é uma barreira para o combate à homofobia, tendo em vista que alguns grupos religiosos, defensores da família “tradicional”, dificultam a adoção de medidas mais efetivas de combate ao preconceito e de promoção à diversidade nas escolas. Segundo o filósofo Schopenhauer, os limites do campo de visão de uma pessoa determinam seu entendimento a respeito do mundo. Nesse sentido, para que se promova uma sociedade igualitária é essencial que a cultura da intolerância abra espaço para a aceitação das diferenças, e a escola é peça chave para uma construção social não discriminatória e que não reproduza estereótipos de qualquer natureza.
Portanto, para que as liberdades individuais, asseguradas pela CF, sejam aplicadas a todos os brasileiros, a homofobia precisa ser combatida. Para tanto, o Ministério da Educação deve promover ações educativas nas escolas, por meio de profissionais especializados, com a finalidade de fomentar o debate e reverter o preconceito histórico contra a diversidade afetiva e sexual presente na sociedade brasileira. Essas oficinas devem ser realizadas, inicialmente, para as turmas do ensino médio, e com o tempo, expandidas para as séries antecessoras, a fim de despertar nos alunos, pais e comunidade escolar, a empatia e a alteridade. Assim, espera-se que a educação seja uma grande aliada na formação de um novo contexto social para que as futuras gerações vivam num país com mais segurança e respeito a toda forma de amor.