Homofobia em questão no Brasil
Enviada em 04/06/2019
O cantor brasileiro Raul Seixas, em um de seus sucessos, eterniza a frase “Eu prefiro ser essa metamorfose ambulante do que ter aquela velha opinião formada sobre tudo”. Infelizmente, em contrapartida ao que prega a música, a sociedade brasileira conserva valores anticonstitucionais e racistas, como a homofobia. Esse fato, associado à ineficiência do poder público em garantir os direitos desses cidadãos, torna necessário o debate para buscar meios de acabar com essa aversão no Brasil.
É valido considerar, antes de tudo, a permanência de uma moral histórica e preconceituosa na sociedade contemporânea. Durante o século XX, com a ascensão de regimes que pregavam a existência de raças superiores, como o nazismo e o fascismo, houve uma intensa perseguição e morte de diversos grupos, sendo um deles os homossexuais. Nesse sentido, foram forjadas inúmeras justificativas para as mortes dessas pessoas, como o fortalecimento da ideia de que essas pessoas seriam doentes e necessitariam de cura. Por conseguinte, esse pensamento foi amplamente difundido e tomado como parte da moral de diversos povos. O que associado à inexistência de leis e divulgações do tema garantem uma realidade de violência e discriminação.
Cabe apontar também a ineficiência do estado brasileiro em garantir os direitos previstos na constituição. A partir do fortalecimento da homofobia, várias pessoas objetivaram demonstrar que a homossexualidade seria algo ruim e o argumento mais utilizado foi a correlação com o pecado. Portanto, visto que a homofobia tem como pretexto, em muitos casos, a religião, a presença de uma bancada evangélica no congresso nacional dificulta a tomada de decisões que auxiliem na proteção da comunidade LGBT. Esse fato, contribui para que a violência e a perseguição aumente nos estados brasileiros, como demonstra os dados divulgados pelo jornal “Oglobo”, que publicou uma pesquisa que afirma terem sido registrados 445 mortes por homofobia somente no ano de 2017.
Fica claro, portanto, a necessidade de modificar os valores homofóbicos que permeiam a sociedade. Sendo assim, o Ministério da Cultura deve criar sites e exposições que demonstrem as raízes históricas do preconceito contra os homossexuais e a importância dessas pessoas na formação cultural do Brasil, como Mario de Andrade, Cazuza, entre outros. Para que os preconceitos fundamentados por valores rígidos sejam modificados e, por conseguinte, a sociedade exerça pressão sobre o congresso de modo criar leis e mecanismos para a proteção desses grupos. Somente assim, a velha opinião preconceituosa sofrerá metamorfose.