Homofobia em questão no Brasil

Enviada em 19/07/2019

Em 2019 comemora-se 50 anos da Revolta de Stonewall, ocasião em que homossexuais resistiram a reprimida de policiais em um bar de Nova York e, em consequência disso, enfrentaram seis dias de confrontos violentos na luta por seus direitos, o que se tornou um marco do movimento LGBT no mundo. Apesar de tantos anos de resistência, hodiernamente, a população gay ainda sofre um contínuo quadro de violência e discriminação, acarretado por raízes históricas e culturais.

Cabe pontuar, de início, que, embora a homossexualidade no Brasil não seja considerada crime - como em países islâmicos - muitos a enxergam como tal. Conforme uma pesquisa do Grupo Gay da Bahia, referência sobre o tema no país, em 2015 houveram mais de 200 assassinatos contra homossexuais no Brasil. Logo, os dados mostram que o preconceito está enraizado na população.

Ligado a isso, é sabido que houveram avanços de 2015 até hoje, pois, em junho deste ano o Supremo Tribunal Federal (STF) declarou, finalmente, a criminalização da homofobia. Contudo, o processo estava em discussão no Congresso há mais de quatro anos pois sofreu forte oposição da bancada evangélica, grupo de grande amplitude na política brasileira, que abomina a homossexualidade por motivos religiosos. Esse fato ressalta a grande influência da cultura em assuntos sociais, ainda que o Brasil seja - de acordo com a Constituição Federal - um país laico.

Sob essa ótica, o pensador Nicolau Maquiavel sustenta a ideia de que os preconceitos têm mais raízes que os princípios. Assim, uma mudança nos valores da sociedade é imprescindível para resolver a problemática. Portanto, o Ministério da Educação deve criar um componente nas escolas que eduque os alunos sobre o respeito as diferenças e a não-violência, através de palestras e atividades lúdicas, visando conscientizá-los. Somado a isso, o Estado deve incentivar as denúncias a crimes homofóbicos com a ajuda da mídia, através de propagandas televisivas, fazendo cumprir a lei e garantindo que o preconceito seja cortado pela raiz.