Homofobia em questão no Brasil

Enviada em 04/08/2019

O “super-homem” idealizado pelo célebre filósofo Nietzsche, caracteriza o indivíduo capaz de livrar-se das amarras sociais. Entretanto, ao que tudo indica, poucos parecem entender essa lição no que se refere à questão da homofobia no Brasil. Como efeito, nota-se um cenário guiado por raízes religiosas e culturais que fragilizam a dignidade humana.

Em primeiro plano, a influência religiosa é obstáculo à aceitação da diversidade de gênero. Nesse contexto, no Concílio de Trento, a Igreja Católica emitiu vários decretos dogmáticos que orientaram o pensamento da população durante toda a Idade Média e a reafirmaram a figura do patriarcardo e da mulher subserviente. Porém, é contraditório que a sociedade brasileira imponha o estereótipo do patriarca medieval e, ao mesmo tempo busque ser considerado Estado desenvolvido. Dessa forma, enquanto a influência religiosa se mantiver, o Brasil será obrigado a conviver diariamente com uma das piores amarras sociais: a homofobia.

Por outro plano, o preconceito à liberdade de gênero evidencia a manutenção da cultura machista da sociedade. A esse respeito, em 1916, foi promulgado o primeiro Código Civil brasileiro, que colocava a imagem masculina em posição de superioridade. No entanto, esse machismo institucionalizado ainda persiste como uma das principais causas para a intolerância de gênero no Brasil e motiva atos de homofobia, praticados sobretudo por homens, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística em 2015. Outrossim, a violência de gênero é mais praticado por homens justamente porque há a legitimação cultura e estatal para a superioridade masculina. Contudo, é contraditório que o Brasil busque ser considerado Estado desenvolvido, mas mantenha enraizado o generocentrismo.

Mediante aos fatos expostos, caracteriza evidenciada a formação sedimentar da homofobia no Brasil e seus aspectos de difícil destruição, tal como as rochas concretas. Sendo assim, influentes digitais, por meio de seus discursos nas mídias, competem veicular conteúdos capazes de mostrar à sociedade as mazelas ideológicas advindas da religião, bem como repudiar condutas discriminatórias, a fim de motivar práticas de respeito e empatia ao grupos que fogem à dicotomia de sexo. Ademais, o Ministério Público Federal, por meio de ações judiciais avaliadas pelo Poder Judiciário com prioridade, deve denunciar os casos de agressões motivadas por questões de gênero, com vistas a desestimular futuros casos de preconceitos, advindos inclusive dos próprios agentes de segurança.