Homofobia em questão no Brasil

Enviada em 10/08/2019

Durante boa parte da história, o homossexual foi colocado em uma posição inferiorizada, na qual não possuía liberdade de expressão e não poderia manifestar sua identidade sem ser cruelmente reprimido pela sociedade. Com o passar do tempo, as lentas conquistas do movimento LGBT e a recente criminalização da homofobia no Brasil, este público começou a ser inserido e aceito socialmente. No entanto, ainda é possível observar diversas manifestações de cunho preconceituoso e violento contra pessoas homoafetivas. Dessa forma, ainda há um longo caminho a ser percorrido para que o Brasil se torne um país mais inclusivo.

Até o inicio a Idade Moderna, a Igreja exerceu grande poder na sociedade. Dessa forma, por meio das concepções religiosas da época, ela enraizou a condenação dos homossexuais, os quais muitas vezes eram obrigados a mascarar o seu verdadeiro eu para não serem alvo de xingamentos e perseguições. Analisando esse aspecto, pode-se observar que o presente é reflexo do passado, haja vista que os pensamentos homofóbicos, em grande parte, possuem como fundamento a religião.

A Constituição Brasileira de 1988, em tese, garante liberdade de expressão e opinião a todos os cidadãos, bem como igualdade entre eles perante a lei. Entretanto, muitas pessoas ainda são subjugadas, desprezadas e muitas vezes até agredidas por conta de sua orientação sexual. Uma pesquisa divulgada pelo Fantástico em 2016 expôs que a cada 28 horas, uma pessoa homoafetiva morre de forma violenta no Brasil. Por outro lado, a recém aprovada criminalização da homofobia representa um grande avanço na luta contra o preconceito, pois, se for devidamente praticada e respeitada pela população, é capaz de promover a proteção e inclusão do grupo social em questão.

Ademais, os valores passados de geração em geração eternizam os costumes e culturas. Desse modo, os pensamentos preconceituosos também podem ser alimentados por décadas, como é o caso da homofobia. Portanto, uma educação com enfoque no respeito é crucial para erradicar este problema pela raiz, especialmente se for centrada nas crianças, as quais representam o futuro da humanidade.

Tendo-se em vista os argumentos apresentados, é possível perceber a lenta inclusão dos homossexuais na sociedade. Para solucionar este problema, o Estado, em conjunto com a Justiça Federal, deve assegurar ao público LGBT os direitos humanos e legais previstos, cumprindo de forma rigorosa as punições cabíveis aos infratores.  Somado à isso, é importante que o Ministério da Educação invista na conscientização da população, especialmente a infantil, por mecanismos por ela compreensíveis, como programas de televisão e desenhos animados. Afinal, como enfatizou a escritora Simone Beauvoir, quando há respeito, não há interesse em forçar a alma sem consentimento.