Homofobia em questão no Brasil

Enviada em 12/08/2019

Promulgada pela ONU em 1948, a Declaração Universal dos Direitos Humanos garante a todos os indivíduos o direito ao bem-estar social. Conquanto, a homofobia impossibilita que o grupo LGBT+ desfrute desse direito universal na prática no cenário brasileiro atual, visto que, o preconceito e a intolerância quanto a essa comunidade vêm crescendo a cada dia.

Homofobia significa medo, ódio irracional ou aversão aos homossexuais, o que muitos psicólogos atribuem a manifestação de homossexualidade reprimida por questões religiosas ou de criação patriarcal opressora. O Brasil possui o título de líder mundial de homicídios de LGBTs, e geralmente esses crimes de ódio possuem a função de passar um “recado” de que esse comportamento é inaceitável e deve ser punido e eliminado da sociedade. Segundo dados fornecidos pelo Grupo Gay da Bahia (GGB) a cada 25 horas alguém das minorias sexuais é assassinada, comprovando a dificuldade que essa parte da população possui em exercer livremente sua cidadania ou viver em segurança.

Além disso, o crescimento da homofobia no Brasil está ligado ao patriarcalismo, o machismo e o conservadorismo da sociedade que é fortalecido por grupos religiosos radicais, pois a homossexualidade seria uma ameaça aos valores morais deles. Esse ideal preconceituoso que impede às minorias sexuais de serem tratadas com respeito é propagado na política com a bancada evangélica, que exigiu a exclusão de menções sobre o combate à discriminação de gênero e orientação sexual da Base Nacional Comum Curricular, com a justificativa de que tais debates iriam incentivar crianças e jovens a homossexualidade causando a destruição das famílias. O que torna o combate a homofobia no Brasil mais difícil, já que, o ambiente escolar seria o local ideal para explicar sobre gênero e sexualidade, além de incentivar o respeito as diferenças.

Logo, medidas estratégicas são necessárias para alterar esse cenário. Para que isso ocorra, o MEC juntamente com o governo deve desenvolver palestras em escolas, por meio de entrevistas com vítimas do problema, bem como especialistas no assunto, com o objetivo de trazer mais lucidez sobre as sexualidades. Por fim, é preciso que a comunidade brasileira olhe de forma respeitosa para as diferenças, pois, como constatou Hanna Arendt: “a pluralidade é a lei da Terra”.