Homofobia em questão no Brasil

Enviada em 09/10/2019

A discussão sobre a questão da homofobia ratifica a perpetuação de preconceitos morais, religiosos e culturais quanto à orientação sexual. Nesse sentido, a escritora brasileira Cassandra Rios é a primeira a escrever acerca da homossexualidade feminina. Tendo seus livros censurados pelo Regime Militar, a autora retratou, na construção de uma relação homoafetiva, as contradições das normas de uma sociedade patriarcal forjada na submissão e na violação à isonomia de grupos minoria.

Em primeira análise, tem-se a homossexualidade como um fato que percorre a humanidade, enaltecida e tolerada em algumas sociedades e culturas, repreendida em outras. A exemplo, nas civilizações antigas da Grécia e de Roma a unissexualidade era praticada por muitos e vista de forma natural. Por outro lado, as religiões Judaico-Cristãs foram as propulsoras e propagadoras da intolerância considerando as relações atos de perversão, o que levou a inúmeras torturas psicológicas e físicas, e mortes. Atualmente, a perspectiva homofóbica demonstra a deficiência, sobretudo da escola e da família, quanto a ações de conscientização e informação legitimando o aumento da violência, a qual é fortalecida pela ignorância e a inflexibilidade de indivíduos que participam de grupos culturais e sociais com ideias racistas, além de muitas religiões que compartilham esse tipo de preconceito.

Ademais, há 31 anos da promulgação da Constituição Cidadã, ainda há muito o que se avançar para romper padrões sociais e garantir “o direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade” conforme seu artigo 5º. Em consonância a isso, Michel Foucalt traz a relação entre poder e conhecimento e seu uso para manipular as pessoas, associando não apenas à homossexualidade, mas à sexualidade como um todo. Nos estudos sobre comportamento sexual ele sugere que o interesse demonstrado pela Igreja, iniciado no século XVIII, é uma maneira de conhecer as preferências individuais a fim de moldar o estereótipo de “casal legítimo”, homem e mulher casados para perpetuar a espécie. Assim, a perpetuação da homofobia impede que o grupo LGBT exerça a sua cidadania e tenha segurança.

Diante do exposto, sob a ação da família e, principalmente, da escola propõe-se a adoção de práticas que reforcem o respeito. Por meio de revisões do currículo escolar para abordar a diversidade, capacitação de professores e ações educativas com pais e alunos. Focando nos assuntos sobre homossexualidade -doação de sangue, por exemplo-, a promoção da igualdade de gênero, a não discriminação e a concepção de saúde como um direito universal. Aliado a construção de bancos de dados das violências e a revisão do Código Civil brasileiro, quanto a privilégios de grupos. Potencializando assim, relações igualitárias, rompendo com a segregação social e o estigma. …vivenciados