Homofobia em questão no Brasil

Enviada em 11/03/2020

No filme “Ó paí ó” de Marcio Meirelles, Reginaldo, homem casado e com filhos, tem um relacionamento conturbado e secreto com uma travesti chamada Yolanda, apesar de ser homofóbico. Essa cena nos remete aos casos de intolerância contra pessoas LGBT , muito disso se deve a homofobia enraizada na sociedade, sendo um problema que está diretamente relacionado à realidade do Brasil, seja pela negligência governamental, seja pela responsabilidade social.

A priori é incontestável que a inoperância governamental esteja entre as causas do problema. Poucas são as políticas públicas do combate ao preconceito contra minorias em geral, o que dificulta ainda mais a luta contra a violência sofrida por pessoas LGBT , além disso, a pouca representatividade dessas minorias no congresso nacional torna a mudança desse cenário de violência mais difícil, pois, segundo o filósofo E. Durkheim o preconceito tende a se perpetuar através de um “Fato Social” que repete ciclicamente um comportamento através das gerações. De fato esse ciclo fica claro nos discursos preconceituosos de uma parcela dos políticos do país, que prestam um desserviço a toda a sociedade.

Outrossim, destaca-se a cultura do preconceito realizado pela sociedade, que, muitas vezes, devido ao senso comum, perpétua discursos homofóbicos justificados por crenças religiosas. Isso está de acordo com o pensamento de A. Schopenhauer de que os limites do campo da visão de uma pessoa determinam seu entendimento a respeito do mundo que a cerca. Nesse prisma, os homossexuais normalmente se veem excluídos da religião, pois,segundo o discurso preconceituoso, para serem amados por Deus precisam negar a sua própria existência.

Diante desse cenário, é mister que o Estado amplie as políticas públicas de combate ao preconceito, por intermédio da criação de leis mais duras contra homofobia, a fim de proporcionar a diminuição dos crimes de ódio e promover a igualdade social. Além disso, as instituições educacionais devem orientar a população sobre os males causados pelo preconceito, por meio de campanhas de conscientização vinculadas nos principais meios de comunicação, para que,gradativamente, pessoas como Reginaldo existam apenas na ficção.