Homofobia em questão no Brasil
Enviada em 20/05/2020
O livro de Adolfo Caminha, “Bom-crioulo”, publicado em 1895, retrata a relação secreta homoafetiva entre os personagens Amaro e Aleixo. Hoje, mais de cento e vinte anos depois, nota-se uma aceitação maior em relação à orientação sexual dos indivíduos. Entretanto, a homofobia no Brasil ainda não foi erradicada, com isso, percebe-se que o contexto do livro e o da atualidade não tem grandes diferenças. Dessa forma, é preciso entender seus verdadeiros motivos para solucionar o problema.
A princípio, é importante destacar que a prática da homofobia é decorrente da dificuldade de aceitar o diferente, o que está enraizado na cultura brasileira. A escola, junto com os pais, tem a responsabilidade de formar o caráter das crianças e jovens, passando exemplos de bondade e não aceitando atos discriminatórios. Porém, segundo o site G1, é muito comum que alguns professores façam piadas a respeito da comunidade LGBT. Desse modo, essa realidade evidencia e ratifica o pensamento do filósofo Kant de que “O ser humano é aquilo que a educação faz dele”. Infelizmente, essa minoria ainda sofre humilhações em lugares que deveriam ser seguros e incentivadores do combate à homofobia.
Além disso, vale ressaltar que o Brasil é um dos países mais violentos para homossexuais viverem. A população brasileira é conhecida, mundialmente, como um povo alegre, bem receptivo e comunicativo. No entanto, segundo a Organização Gay da Bahia, mais de trezentas pessoas da comunidade LGBT são mortas anualmente, o que equivale em média a uma morte a cada 28 horas. A homofobia ainda não é considerada crime no Brasil, mas mais da metade dos deputados é favorável a transforma-la em crime. Dessa maneira, essa prática enfatiza e confirma o pensamento do filósofo Maquiavel, “Os preconceitos têm raízes mais profundas que os princípios”, pois, lamentavelmente, isso ainda é persistente no século XXI, pondo fim ao direito de liberdade dessa minoria.
É notável, portanto, que a homofobia em questão no Brasil necessita ser amenizada. Logo, é necessário que o Governo Federal sancione leis contra a homofobia, por meio de abertura de canais para a denúncia e postos policiais especializados nesse crime, a fim de diminuir o alto índice de violência verbal e física contra os homossexuais. Além disso, é fundamental que o Ministério da Educação invista na capacitação dos professores, por meio de cursos qualitativos sobre técnicas didáticas voltadas a educação sobre as orientações sexuais, com o intuito de reduzir o preconceito e formar futuros cidadãos mais respeitosos. Dessa forma, a relação homoafetiva não precisará ser secreta como no libro “Bom-crioulo”.