Homofobia em questão no Brasil

Enviada em 14/06/2020

Na série “Pose”, é retratada a experiência de um personagem homossexual que, por conta da homofobia dos pais, é expulso de casa. Fora do campo cinematográfico, a narrativa não destoa da realidade, na qual o grupo LGBT é vítima desse tipo de discriminação e de suas consequências - violência, mortes  e o medo- que, apesar de criminalizada pelo Estado, continua ocorrendo.

Em primeira análise, o Brasil, ao contrário de outros países como o Irã, não considera a homossexualidade um crime. Apesar disso, esta comunidade é vítima diariamente da violência causada pela homofobia, seja ela verbal, psicológica ou física - a qual fomenta, em muitos casos, a ocorrência de assassinatos. Essa realidade é mostrada por meio de dados do Grupo Gay da Bahia, os quais afirmam que ocorre uma morte a cada 28 horas. Tal cenário é causador de pânico, levando alguns indivíduos que fazem parte desta comunidade a cometer suicídio, visto que enxergam a morte como “escapatória” da situação, já que têm medo de fazer, até mesmo, atividades comuns do dia a dia como andar na rua.

Em segunda análise, o preconceito contra o grupo LGBT foi criminalizado em 2019, porém casos de agressões e homicídios continuam ocorrendo. Esse panorama pode ser explicado por meio da teoria de Thomas Hobbes, na qual ele afirma que “o homem é o lobo do homem”, ou seja, os seres humanos estarão sempre tentando ferir a integridade, em essencial, daqueles considerados “mais fracos”. Caberia então ao Estado a tomada de providências para a garantia da paz, o que não ocorre no Brasil que, apesar de criminalizar a discriminação, não garante que criminosos serão punidos - como o ocorrido com alguns dos assassinos da transexual Dandara, que ainda estão desaparecidos - e não promovem a educação da sociedade como uma forma de prevenção do desprezo por quem é diferente.

Portanto, medidas devem ser tomadas para a resolução do impasse. O Poder Executivo deve garantir a criação de leis que punam a homofobia de forma eficiente, dando as vítimas confiança para denunciar casos de violência e promovendo a justiça para aqueles que morreram em decorrência do preconceito. Outrossim, é de suma importância que o Ministério da Educação promova palestras e debates em escolas, com o objetivo de ensinar que todos devem ser respeitados, independentemente de suas diferenças, favorecendo a construção de uma sociedade mais segura para aqueles que não estão no padrão “hétero e cis” e assegurando a criação do Estado que certifica a paz proposto por Hobbes.