Homofobia em questão no Brasil
Enviada em 30/06/2020
Com a ascensão de pensamentos ultraconservadores na realidade brasileira, pautas como a lgbtfobia, que se caracteriza como a aversão pela comunidade lgbt, cresceu e ganhou proporções imensuráveis na realidade do país. Apesar de décadas de lutas contra o preconceito com pessoas de diferentes orientações sexuais, a realidade no Brasil escancara a perseverança de pensamentos ultrapassados e muitos vezes embasados em crenças individuais que se confundem com posicionamentos políticos. Com isso, a presença de figuras públicas com este pensamento apenas reforça a necessidade de mudanças sociais para combater a intolerância contra essa minoria.
Durante as eleições de 2018 e, posteriormente a sua efetiva nomeação, o presidente Jair Bolsonaro, assim como seus ministros elegidos, como a ministra Damares Alves, proferiram por diversas vezes falas do senso comum e teor preconceituoso contra a comunidade lgbt. Uma das mais conhecidas é a que ter filhos gays era falta de porrada, o que escancara o primitivismo de seus pensamentos, já que em primeira estância violência não é a melhor forma de correção de atos. Este tipo de opinião feita por um chefe de Estado de um país cuja realidade demonstra que um homossexual é morto a cada 26 horas segundo dados coletados pelo Grupo Gay da Bahia em 2019, apenas corrobora para seus seguidores atitudes violentas e preconceituosas contra essa coletividade.
Além disso, a política brasileira está impregnada de representantes religiosos, sendo a bancada religiosa uma das mais fortes e importantes nas tomas de decisões para a nação. Assim, o Estado laico previsto na Constituição Brasileira é posto em cheque, já que as ações governamentais são influenciadas pela religião cristã, especificamente.O filme “Orações para Bobby” retrata um garoto gay que é de uma família religiosa que o obriga a orar para que ele possa ser libertado.Porém, toda essa pressão feita e imposição de ideais o leva a cometer suicídio.Analogamente à realidade de muitos jovens lgbt’s é essa, em que a própria família é o estopim para um fim trágico.
Portanto, o retorno de pensamentos retrógrados em um mundo contemporâneo e que busca conquistar espaços na sociedade que antes foram negados à eles, escancara a urgência de debates dentro dos grupos sociais para reprovar atitudes tão nocivas pelas quais são apenas baseadas na percepção individual de cada. Com isso, mais do que ações feitas dentro do sistema político, como a vitória em 2019 pela criminalização da homofobia e transfobia, é preciso modificar a cultura vigente. Faz-se necessária a representatividade deste grupo em ambientes públicos, a colaboração das mídias sociais são imprescindíveis tratando deste assunto com mais frequência em programas e/ou documentários, assim conscientizando a população e proporcionando o conhecimento à todos.