Homofobia em questão no Brasil

Enviada em 06/08/2020

Durante a Segunda Guerra Mundial na Alemanha Nazista de Hitler, muitos homossexuais eram capturados para serem vítimas dos abusos da chamada “cura gay”, um tratamento para reverter a orientação sexual de LGBT’s que eram vistos como doentes e pervertidos. Nessa prática havia castração, sexo forçado com diversos homens/mulheres, aplicação de hormônios e muita violência. Atualmente, no Brasil, os estigmas de tanta repressão se alastram até as relações sociais, os casais homoafetivos ainda são alvo de muito preconceito no país da diversidade que reflete a sua própria intolerância.

É relevante abordar que o Brasil é “campeão” no quesito violência contra homossexuais. De acordo com a ONG Transgender Europe (TGEu), nos últimos 8 anos, o país matou mais de 800 travestis e transexuais liderando o ranking de homicídios contra LGBT’s no mundo todo. Nessa perspectiva, além dos vários assassinatos, há também inúmeros casos de agressões físicas e psicológicas vivenciados pela comunidade todos os dias, tanto na rua, quanto principalmente no ambiente familiar. Nesse contexto, a segurança pública no país deveria atender aos chamados de urgência, no entanto, muita da violência praticada contra homossexuais vem da própria polícia o que demonstra o grande despreparo para com essa parcela da sociedade, mostrando também, o quão a nação brasileira é preconceituosa.           Paralelo a isso, os padrões heteronormativos — a heterossexualidade vista como um modelo/referência — atuam como um forte agente de repressão nos comportamentos sociais. Expressões como: “vira homem”, “que desperdício”, “que viadagem”, alimentam um discurso de ódio quanto as relações homoafetivas. Além do mais que, muitos desses comentários são utilizados diariamente por milhares de pessoas mas sem o intuito de ofender, e a partir disso vem a questão do politicamente correto juntamente com o preconceito camuflado, muitas expressões carregam um certo peso consigo e também uma história. Dessa forma, para desconstruir é necessário conhecer.

Evidencia-se, portanto, que a intolerância contra a população LGBT brasileira é fruto de uma forte negligência do Estado. Dessa forma, cabe ao Ministério da Justiça e Segurança Pública, por meio de verbas governamentais, preparar e capacitar delegacias e unidades de proteção à sociedade, com atendimento e abordagem policial especial a comunidade homoafetiva, com o objetivo de diminuir o número de mortes e violência contra essa minoria da população. Cabe também aos indivíduos, refletirem sobre atitudes e comportamentos preconceituosos, a fim de, em conjunto com o Ministério, proporcionar um Brasil mais acolhedor, sem exclusões sociais e com a lição de aprender com as repressões do passado, não realizar um futuro sem esperança e equidade.