Homofobia em questão no Brasil
Enviada em 13/08/2020
Na matemática, é fundamental que todos os elementos de uma operação estejam organizados para chegar ao melhor cálculo. Assim, um sistema social deve ser para entrar em estabilidade, entretanto, a realidade, na qual conserva a homofobia implica o princípio matemático outrora enfatizado. É paradoxal, pois, em pleno século XXI -dito como evoluído-, a filosofia arcaica legitime o comportamento negligente nas pessoas mesmo na presença de normas constitucionais.
Vale analisar, inicialmente, como o passado formulou o corpo civil . Nesse viés, partindo da Europa na Idade Média, o conceito de família tradicional -homem, mulher e filho- foi disseminado mediante o Estado -na época, as entidades governamentais eram muito vinculadas à Igreja Católica-, a fim de persuadir os indivíduos a confiarem na inexistência de felicidade em outros estilos de vida, fora, é claro, torná-los mais presos em uma bolha sociocultural. Paralelamente, a partir do século XV, esses ensinamentos foram bastante articulados nas colônias europeias -especialmente o Brasil- naquele momento, construindo uma civilização -em consequência- incapaz de tolerar homossexuais, banalizando, na atualidade, o direito a liberdade individual a todos os cidadãos, previsto na Constituição Federal de 1988.
Em decorrência desse contexto histórico, observa-se um forte impacto na comportamento da coletividade. Nessa conjuntura, verifica-se que a sociedade não previne casos de homofobia como do menino Gabriel de apenas 8 anos, o qual foi friamente espancado até a morte pelo próprio pai no estado do Rio de Janeiro em 2014- de acordo com o jornal G1. Logo, é necessária uma mudança nos valores sociais para transpor o preconceito contra pessoas homoafetivas, pois, seguindo o raciocínio do Michel Foucault, filósofo francês, o ser humano possui liberdade suficiente para formular novas ideias, bem como quebrar ideologias errôneas construídas em outros períodos da história.
É possível alegar, portanto, que os impasses supracitados constituem desafios a superar. Para tanto, o governo federal, por intermédio das verbas públicas, deve construir delegacias especializadas em crimes contra homossexuais, com o objetivo de atenuar o preconceito, além de aumentar a pena criminal para quem o praticar. Em sequência, ainda cabe à escola -devido à sua importância na formação cidadã-, por meio de minicursos, instruir os educadores -principalmente os orientadores da sociologia, tendo em vista o conhecimento social inerente a tal curso- a dialogar durante as aulas a necessidade de compreender as diferenças de orientação sexual para ,assim, construir uma geração -por conseguinte- conscientizada. Com essas medidas, os elementos da matemática social estarão devidamente calculados.