Homofobia em questão no Brasil

Enviada em 13/09/2020

“O homem é a medida de todas as coisas”. Essa máxima atribuída ao filosofo grego Protágoras, revela o protagonismo humano em que o indivíduo tem o poder de construir a sua realidade e seus valores em sociedade. De maneira análoga ao excerto, a homofobia é fruto de uma masculinidade tóxica e, consequentemente, causa injustiça aos atingidos. Nesse sentido, é importante destacar o motivo que levou a persistência da problemática.

Primeiramente, é importante destacar o perigo da cultura machista presente na sociedade brasileira. Sob esse viés, por muitas vezes, a sociedade impõe padrões esdrúxulos, como, por exemplo, a ideia retrograda de que os meninos devem sempre demonstrar o quão “machos” eles são, para exibir a “superioridade”, atacam verbalmente e fisicamente à comunidade LGBTQIA+. Paralelamente, segundo o escritor George Orwell, “ele usa uma máscara, e seu rosto se adapta para preenche-la”, ou seja, os homens - segundo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, são os maiores agressores contra homossexuais - são forçados a agir de acordo com a masculinidade imposta pelo corpo civil. Logo, deve-se desconstruir essa cultura tóxica, pois, ela é a fonte do impasse.

Ademais, geralmente, o abusador, que perpetua a prática criminosa de aversão aos que se atraem amorosamente pelo mesmo sexo, foi um dia um menino que sofreu essa “educação maluca”. Dessa forma, um LGBT morre a cada 23 horas - como mostra o relatório do Grupo Gay da Bahia - ligados à homofobia. Paralelamente, no seriado espanhol “Elite”, é retratada a violência contra gays no ambiente escolar relacionado com a masculinidade tóxica. Com isso, fica claro que medidas precisam ser tomadas no combate a problemática vigente.

Portanto, faz-se necessário políticas públicas que mitiguem o desafio. Para tanto, o Ministério da Educação deve criar o projeto “Seja você mesmo” que vise desconstruir padrões tóxicos de modo que as crianças não incorporem os e nem tenham que usar “máscaras” para se moldar aos padrões da sociedade, por meio de oficinas, palestras, em escolas brasileiras, dadas por profissionais da área, objetivando a formação de cidadãos que não pratiquem a homofobia. Assim, os valores construídos pelo protagonismo humano não serão tóxicos. Além disso, as ONG’s junto com os setores midiáticos devem criar campanhas que aludem sobre tal assunto, por meio de reflexões, engajadas em novelas e telejornais; elas devem ser transmitidas em horário nobre para que atinjam todo corpo social. Dessa maneira, a população não reproduzirá comportamentos homofóbicos, bem como à comunidade LGBTQIA+ poderá ser totalmente inclusa no meio coletivo.