Homofobia em questão no Brasil

Enviada em 25/09/2020

No seriado “Glee”, Kurt Hummel, interpretado pelo aclamado ator estadunidense Chris Colfer, é um jovem e talentoso estudante de uma grande escola. Entre conflitos, pelo fato de ser homossexual, o personagem é constantemente atacado por seus colegas, uma problemática que, ao sair da ficção é, infelizmente, devido a fatores históricos e sociais, persistente na sociedade brasileira. Essa realidade notifica um entrave para o desenvolvimento, a saber, nas esferas da segurança e da saúde, o que torna cabível a análise sobre a questão da homofobia, a fim de solucioná-la no Brasil.

Em primeiro plano, vale salientar que, na Grécia ateniense, em decorrência da necessidade dos antigos de exaltar espírito masculino, as relações homoafetivas eram vistas como comuns. Entretanto, mesmo que não tenha sido, na antiguidade, uma prática moralmente condenada, a homossexualidade, fenômeno descrito pela psicologia como um traço de personalidade, não era vista, nesses tempos, da melhor forma. Nesse contexto, com a chegada das religiões monoteístas que pregaram a abominação à orientação sexual comentada, o conceito de que apenas a heterossexualidade deve ser aceita ficou impregnado. Esse absurdo abriu portas para uma onda de intolerância, a qual levou ao comprometimento da segurança da população LGBT, inclusive no Brasil, onde segundo relatório do Grupo Gay da Bahia (GGB), em 2019, foi registrada uma morte por homofobia a cada 23 horas.

Outrossim, além de afetar, em negativo, por falta de políticas públicas direcionadas a essa causa, a garantia da segurança coletiva, atos homofóbicos, erroneamente comuns na atualidade, danificam o estado de bem-estar mental das pessoas que assumem a homossexualidade. Com a forte aversão populacional à causa LGBT, muitos indivíduos são pressionados a omitirem ou a viverem constrangidos por terem essa característica, o que é responsável por parte dos problemas relacionados ao suicídio e à depressão nesses cidadãos; uma lástima. Essa triste situação demonstra a falta de empatia de muitos brasileiros, realidade que, tristemente, não vai ao encontro do pensamento de Nelson Mandela,  político contemporâneo vencedor do Prêmio Nobel da Paz, que defendia que o ser humano deve ser ensinado a amar seu semelhante pelo que ele é, independentemente de cor, religião ou sexualidade.

Destarte, é imprescindível que medidas sejam tomadas para minimizar a homofobia no Brasil, advinda de fatores históricos e sociais. É válido ao governo promover, por meio do Ministério dos Direitos Humanos, ações como a criação de aplicativos, acessíveis à população nos aparelhos celulares, com o auxílio de profissionais capacitados, como informáticos. Tais ferramentas serão meio de ajuda para casos de violações físicas e verbais à população pautada, que comprometam sua segurança e saúde mental, diminuindo, quiçá, casos como o de Kurt e garantindo o desenvolvimento.