Homofobia em questão no Brasil
Enviada em 14/10/2020
De acordo com a Declaração Universal dos Direitos Humanos, todos os seres humanos nascem iguais em dignidade e direitos, ou seja, o senso de igualdade estende-se a quaisquer pessoas, independentemente de sua orientação sexual. Paradoxalmente, a realidade brasileira é marcada pela discriminação aos indivíduos que fogem do padrão heterossexual, e sofrem com a marginalização e com os índices de violência. Com isso, torna-se necessário discutir acerca das causas dessa barbárie, bem como seus efeitos na vida das vítimas, a fim de formular meios de combatê-la.
Em primeiro plano, é lúcido afirmar que o fenômeno da homofobia tem como principal motivo o pensamento cristão, embasado no livro sagrado, que descreve os relacionamentos homoafetivos como um comportamento antinatural, pois, de acordo com a crença, são válidas apenas relações com fins de procriação. Diante disso, grupos religiosos tendem a abominar a prática homossexual e tratá-la como uma profanação, o que estimula seus membros a pregarem o mesmo, ou até partir para a agressão, em casos de radicalismo. Dessa forma, é possível comprovar a existência da homofobia, por parte da Igreja, no livro “O Conto da Aia”, o qual tem como uma de suas personagens, uma lésbica, a qual recebe como punição dos fundamentalistas religiosos a obrigação de gerar filhos pela nação.
Em segundo plano, é válido ressaltar que o produto da discriminação aos homossexuais é a violência e o cerceamento de seus direitos, o que pode ser observado em diversos momentos históricos, como é o caso da Alemanha, na década de 40, que enviou homens gays aos campos de concentração, apenas por sua sexualidade. Por conseguinte, devido ao preconceito, torna-se difícil para o indivíduo homossexual assumir sua natureza abertamente, e praticar atos comuns para a maioria das pessoas, como beijar seu parceiro em público. Em vista disso, a série norte-americana “I Am Not Okay With This” retrata o processo de autodescoberta de uma adolescente, que, em determinado momento, é humilhada e agredida verbalmente, no baile de formatura, por ter beijado sua amiga.
Sendo assim, é fundamental que o assunto seja debatido, pois, de acordo com o sociólogo Habermas, a linguagem é uma verdadeira forma de ação, logo é capaz de provocar transformações socais profundas. Dessa maneira, é essencial a ação do Ministério da Educação, por meio da criação de uma matéria escolar acerca da desmistificação de crenças preconceituosas e da importância da inclusão social. Adicionalmente, é dever do Poder Legislativo a aprovação de leis que imponham penas mais rígidas aos agressores, além de multas revertidas em doações para organizações não governamentais, que se comprometem a auxiliar a causa homoafetiva, a fim de, futuramente, possibilitar aos homossexuais o devido tratamento por parte da sociedade.