Homofobia em questão no Brasil
Enviada em 26/10/2020
De acordo com o sociólogo Émile Durkheim, a sociedade pode ser comparada a um “corpo biológico” por ser, assim como esse, composta por partes que interagem entre si. Desse modo, para que esse organismo seja igualitário e coeso, é necessário que todos os direitos dos cidadãos sejam garantidos. Contudo, no Brasil isso não ocorre, pois em pleno século XXI a união de pessoas do mesmo sexo ainda é um problema. Esse quadro de iniquidade é fruto, principalmente, do individualismo e do conservadorismo enraizado.
É relevante abordar, primeiramente, que a indiferença da sociedade promove a disseminação da discriminação contra homossexuais no Brasil contemporâneo. O sociólogo Zygmunt Bauman defende, na obra “Modernidade Líquida”, que o individualismo é uma das principais características - e o maior conflito - da pós modernidade, e, consequentemente, parcela da população tende a ser incapaz de tolerar diferenças. Desse modo, ao observar a falta de representantes homossexuais nos cargos públicos e comerciais, pode-se concluir que um dos motivos para essa ocorrência, é a falta de postura do corpo civil perante a problemática. Logo, sem diálogo sério e massivo, sua resolução é quase utópica.
Ademais, é oportuno comentar que o conservadorismo histórico por influência religiosa na família, na escola e na mídia é fator determinante para a permanência da homofobia no país. A respeito disso, em 2017 o jovem de 17 anos Itaberli Lozano, foi agredido e carbonizado em um canavial no interior de São Paulo, pela mãe e o padrasto que não concordavam com a orientação sexual do rapaz. Dessa forma, é fato que, situações como essa ocorrem diariamente, fruto de comportamentos discriminatórios e de ódio por parte da sociedade. Assim, para que o respeito e a igualdade façam parte do círculo social, medidas públicas precisam ser tomadas com urgência.
Portanto, é preciso intervir sobre os fatores que comprometem a integridade física e moral de toda comunidade LGBTQIA+ brasileira. Sendo assim, é preciso que o Estado, no papel do Ministério da Educação, órgão responsável pela elaboração e execução da Política Nacional de Educação (PNE), por meio de uma parceria com as prefeituras, deve realizar um ciclo de palestras em escolas com especialistas no assunto. Essa ação poderá ser compartilhada na mídia e nas redes sociais, com o fito de atingir grande parte da população brasileira e trazer mais clareza a respeito da importância de agir para garantir a inclusão de homossexuais na sociedade como um todo. Com essas ações, o infortúnio será erradicado e a sociedade alcançará o bem-estar social.