Homofobia em questão no Brasil

Enviada em 06/11/2020

Em 1789, a Revolução Francesa livrava-se dos grilhões do Antigo Regime e, como arautos de uma nova era, defendiam a liberdade como um valor a ser vivenciado. A potência do ato foi tão forte que influenciou o legislador de 1988, o qual garantiu no artigo 5º da Constituição Federal (CF) o direito à liberdade individual independente de valores culturais de gênero. Porém, a mentalidade e a estrutura social intransigentes ainda reinam no Brasil, e, por isso, a questão precisa ser discutida e tolerada.

Em “Raízes do Brasil”, Sérgio Buarque de Holanda afirma que se formou na época colonial uma sociedade patriarcal e preconceituosa. Isto é, o pai de família exalava testosterona, sendo certo que, depois de beijar o crucifixo, adotou um comportamento etnocêntrico, que, consequentemente, repudiou o homossexualismo em arrogante superioridade cultural. Assim, de uma geração a outra, os brasileiros herdaram a criminosa aversão, que, segundo o Grupo Gay da Bahia, mata 328 seres humanos ao ano.

Ademais, além do atentado contra a vida, é possível verificar um arraigado vilipendio social cuja finalidade é coibir o comportamento diverso. Nesse caso, o Brasil se parece com Estados Unidos, França e Reunido, onde, segundo a UNESCO, 70% dos homossexuais sofrem agressões verbais e 30%, agressões físicas. Aliás, 60% da classe tende ao suicídio como forma de fuga da realidade. Nesse passo, é fácil enxergar que, a cada ato, há uma retroalimentação da violação ao artigo 5º da CF e, ao mesmo tempo, deveria ser aplicada a legislação criminal já existente.

Portanto, o que realmente precisa ser feito é mudar os paradigmas culturais e superar os grilhões do antigo preconceito na busca da liberdade. Para tanto, é necessário que o Ministério da Educação faça a contratação de empresas de consultoria as quais possam ministrar cursos aos professores do ensino básico, ensinando-lhes, em combativo ataque ao etnocentrismo, o valores do relativismo cultural (embasados na tolerância e no respeito às culturas diferentes). Dessa forma, tais assuntos podem ser reproduzidos em salas de aula, iluminando um futuro mais tolerante.