Homofobia em questão no Brasil
Enviada em 11/01/2021
Na série ‘‘O conto da Aia’’, há a instauração de um novo regime, chamado Gilead, em que mulheres são tidas como propriedade e a homossexualidade condenada sob pena de enforcamento, pois, é tratada como ‘’traição de gênero’’. Fora da ficção, a aversão aos homossexuais, como retrata a série, é bastante comum no Brasil. Diante disso, cabe analisar a influência religiosa e a necessidade do debate sobre a diversidade, no que tange a questão da homofobia no país.
Em primeiro lugar, é importante evidenciar o pensamento religioso como emancipador da homofobia no Brasil. Visto que, um dos fatores que explicam o preconceito contra a homossexualidade, nos dias atuais, é o passado colonialista brasileiro. Isso porque, a Igreja teve forte participação na formação do Brasil e, por conseguinte, sua potencialidade é bastante viva no presente. Certamente, o Estado cristão, apesar de intitulado laico, promove o agravamento da homofobia na sociedade. De tal forma que, os conservadores religiosos, em sua maioria, enxergam a homoafetividade, por exemplo, contraditória aos dogmas da Igreja. Assim, o credo torna-se uma desculpa para a propagação do pensamento homofóbico no país.
Em segundo lugar, é necessário destacar a importância do debate sobre a diversidade como forma de oposição à problemática em pauta. De certo, discutir sobre a inegável existência de um país plural, é trazer, para a população, uma conscientização acerca do diferente. Consequentemente, a mobilização social contra a homofobia torna-se uma possibilidade. Diante desse contexto, destaca-se o pensamento do filósofo Habermas, o qual defende a linguagem como forma de ação. Ou seja, o debate supracitado tem poder de mudar o cenário intolerante que o país possui.
Logo, medidas estratégicas devem ser tomadas para que o debate reverta o quadro homofóbico do país. Para que isso ocorra, a escola, espaço de transformação social, deve promover atividades extracurriculares, como peças teatrais e cineclubes, abertas não só aos alunos, como aos familiares, as quais tratem de assuntos como homofobia e pluralidade. Isso irá ocorrer a partir de exibições mensais, no espaço escolar, e rodas de conversas, com profissionais especializados, para discutir sobre o que foi transmitido. A fim de garantir, por meio do diálogo, respeito às diferenças e diminuição do pensamento homofóbico no Brasil.