Homofobia em questão no Brasil

Enviada em 23/01/2021

Das camadas mais subjetivas do ser humano à homofobia

‘‘Todas as vidas importam". Esse presunçoso bordão —usado por internautas incomodados com  o movimento “Vidas negras importam” na internet— defende que todas as pessoas possuem o mesmo valor social. No entanto, quando percebe-se a homofobia no Brasil, fica nítido que o ideal outrora enfatizado é completamente desastroso no que tange à discriminação contra gays, a qual faz desse grupo mais vulnerável à violência —ou até mesmo à morte— na sociedade. Por isso, faz-se essencial analisar os aspectos mais subjetivos dessa conjuntura, a fim de transpor a homofobia para que seja possível perpetuar uma verdadeira importância à vida de pessoas homoafetivas.

Inicialmente, vale defender que tal preconceito está ligado aos padrões construídos pela consciência coletiva. Nesse sentido, o princípio dessa causa advém de uma construção civil herdada do período colonial, no qual práticas opressoras com grupos consideramos inferiores —negros, pobres, deficientes, entre outros grupos— eram normativas e frequentes. Desse modo, ao corromper a semântica moral e ética do ser humano, a intolerância contra gays passa a ser transmitida entre os brasileiros —na música, na cultura, na religião, nos jornais, entre mais vetores— e proporciona um panorama bastante intensificado de hostilidade contra as diferenças por orientação sexual.

Além desse mecanismo de opressão, outra gênese é o cotidiano. Isso porque enfática ignorância sobre sexualidade presenciada na experência sociocultural por cada sujeito o faz pensar que ele está livre para cometer atos homofóbicos. Ademais, essa tese pode ser comprovada: ao mencionar o assassinato do menino Gabriel de apenas 8 anos, o qual foi brutalmente espacando até morte pelo pai por ser afeminado em 2014. Dessa forma, se o sistema nos esbanja a homofobia por que, então, não faríamos deste o nosso reflexo? Assim, tornamo-nos consequentemente agentes —não por escolha individual, mas por influência civil— nesse processo devido aquilo que nos foi mostrado no cotidiano.

Infere-se, portanto, que o cenário supracitado presente na subjetividade de cada indivíduo institui desafios a superar. Para tanto, o Estado, por intermédio da verba pública, deve construir delegacias especializadas em crimes contra homossexuais, com o intuito de atenuar a homofobia, além de elevar a pena criminal para quem a praticar. Paralelamente, a escola, por meio dos sociólogos —tendo em critério o conhecimento desses profissionais inerente à educação cidadã—, deve elaborar minicursos instrumentais acerca de tolerância às diferenças sexuais, com objetivo de educar os estudantes para que, assim, eles construam —por conseguinte— uma civilidade menos homofóbica e mais tolerante. Enfim, a partir dessas ações, será possível trazer mais rigor ao ideal  “Todas as vidas importam”.