Homofobia em questão no Brasil
Enviada em 10/02/2021
Em um dos primeiros episódios da série “Emergecy room”, de 1994, evidencia-se o suicídio da srta. Charleston após sofrer uma série de preconceitos ao longo de sua vida, além de ser discriminada por ser travesti ao ser atendida pelo dr. Carter. De maneira análoga, hodiernamente, assim como a tal paciente, a maioria das pessoas da comunidade LGBTQIA+ brasileira já sofreram – e ainda sofrem – algum tipo de abuso. Nesse sentido, em razão de fatores históricos e de uma intolerância difundida pelas religiões, emerge um problema complexo, o qual precisa ser revertido.
Diante desse cenário, a visão acerca da homossexualidade antigamente reflete diretamente no preconceito que está enraizado na sociedade atual. Sob esse ângulo, conforme o documentário “Secreto e proibido”, que aborda a história das idosas Pat e Terry – casal de lésbicas –, na década de 50, nos Estados Unidos, se a polícia descobrisse bares gays, esses estabelecimentos eram fechados e os frequentadores eram presos e torturados. Sendo assim, ao se analisar tal contexto no Brasil, apesar da grande conquista de direitos, nota-se que uma história similar ainda se repete, pois, segundo o Grupo Gay da Bahia, 1 homossexual morre a cada 28 horas. Com isso, é inadmissível que a vida e a liberdade de expressão de diversas pessoas sejam exterminadas pelo preconceito.
Ademais, a visão que é passada para o público acerca da homoafetividade é outro grave fator ao impasse. Nesse viés, consoante a filósofa Hannah Arendt, a pluralidade é a lei da terra. No entando, ao se observar o conteúdo cheio de ódio e de preconceito que muitos líderes religiosos levam aos fiéis, percebe-se que isso é uma forte razão à homofobia de muitas cristãos, os quais, para discriminar homossexuais, usam uma visão errônea da Bíblia como fonte da verdade absoluta, especialmente um trecho que diz: “não te deitarás com um homem, como se fosse mulher, pois isso é abominação”, mas esquecem de diversos outros trechos que falam sobre amar ao próximo como a si mesmo. Logo, se o Estado não combater a ignorância, não haverá liberdade de expressão na cultura verde-amarela.
Infere-se, portanto, que o Ministério da Educação, enquanto regulador das práticas educacionais do país, juntamente com o Congresso Nacional, por meio do Poder Legislativo, crie e realize um projeto. Diante do pressuposto, tal ação adicionará uma nova matéria na grade curricular, a qual abordará sobre os tabus e preconceitos enraizados na coletividade, com o intuito de tornar as novas gerações mais acolhedoras das diferenças. Além disso, promover trabalhos pedagógicos em locais públicos, como praças, os quais abordem as passagens bíblicas com uma maior interpretação de texto, através de profissionais qualificados, para fazer o povo parar de usar a religião como justificativa à intolerância. Dessa forma, espera-se frear a homofobia no Brasil.