Homofobia em questão no Brasil
Enviada em 14/05/2021
A série “Sex Education”, da Netflix, retrata ao longo de sua história o episódio do personagem Eric, que sofre preconceito e agressão física por conta de sua orientação sexual e, consequentemente, para de se comportar da maneira que se sente confortável. Não longe da ficção, é possível perceber casos como esse sendo vivenciados diariamente por pessoas LGBT’s, que são alvos das mais diversas formas de violência por conta das suas sexualidades. Nesse contexto, a homofobia em questão no Brasil é um desafio e persiste devido, não só à falta de conhecimento sobre o assunto, mas também à impunidade do ato.
Primeiramente, é importante ressaltar que a falta de conhecimento sobre a homossexualidade e as diversas formas de expressão sexual é um dos motivos que mantém a intolerância no país. A exemplo disso, o filósofo Schopenhauer defende que os limites do campo de visão de uma pessoa determinam seu entendimento a respeito do mundo. Assim, é possível perceber que na sociedade brasileira existe uma lacuna muito grande na questão educacional a respeito das diferenças e, por conta dessa ignorância, atitudes homofóbicas continuam a prevalecer e muitas pessoas são alvos de agressão. Dessa maneira, é necessário ressignificar o entendimento da população sobre essa temática, para que fique expresso que não existe somente uma forma de demonstrar amor.
Em segundo lugar, cabe destacar a impunidade de atitudes homofóbicas como fator determinante para a sua continuidade na sociedade brasileira. Consoante a isso, Hanna Arendt traz o conceito de banalidade do mal, explicando que quando uma atitude agressiva ocorre constantemente, as pessoas param de vê-la como errada. Essa ideia é corroborada quando se observa a intolerância contra grupos LGBT’s no Brasil, que muitas vezes precisam camuflar sua orientação sexual ou se limitam a se vestir de forma desconfortável, para que não sejam intimidados ou violentados por desconhecidos nas ruas ou até mesmo por seus familiares dentro de casa. Portanto, por conta da falta de medidas eficazes para punir atitudes agressivas e homofóbicas, as pessoas acabam repetindo esse comportamento e não se esforçando para mudar efetivamente a realidade do país.
Sendo assim, é indispensável a adoção de medidas capazes de assegurar a resolução do problema. Logo, o Ministério da Educação deve promover formas de incluir na grade estudantil o ensino sobre as diversas formas de se expressar afetivamente. Essa medida pode ser realizada por meio de distribuição de cartilhas aos estudantes, elaboração de peças teatrais e rodas de conversa sobre a homossexualidade, trazendo uma visão ampla a respeito dos grupos LGBT’s e sobre a importância de falar a respeito das diferenças, a fim de levar conhecimento e evitar a intolerância nas novas gerações.