Homofobia em questão no Brasil
Enviada em 29/04/2021
“Por matar dois homens, recebi uma medalha, mas me deram uma dispensa por amar outro homem". Essa emblemática frase do Soldado Leonard Matlovich expulso das Forças Armadas americanas na década de 1970 após assumir sua homossexualidade enquadra perfeitamente o paradoxo da discriminação com gays, tendo em vista que a sociedade ainda submete esses indivíduos: aos imperativos da degradação moral, psicológica e física. Isso ocorre, ora em função do decurso histórico, ora pelos princípios ensinados do cotidiano. Nesse contexto, torna-se mister analisar tais fatores, que corroboram ativamente para a homofobia em seus aspectos mais subjetivos.
Mormente, é necessário que os brasileiros não sejam uma reprodução da casa colonial, como Gilberto Freyre disserta em “Casa-Grande Senzala". Nesse sentido, nota-se que a nação, decerto, tem ido de encontro ao postulado sociológico, visto que o sectarismo endêmico herdado do período colonial, no qual práticas opressoras com pessoas homoafetivas —como censurá-los e/ou até mesmo privá-los de direitos civis básicos— eram normativas e frequentes, assume parte ativa na contemporaneidade. Dessa forma, faz-se possível afirmar que, ao prorrogar o panorama outrora constituído, tem-se o aculturamento da coletividade em enxergar esses cidadãos mais como “anomalias” que como outros seres humanos, que é humilhante, imoral e preconceituoso, o que, infelizmente, ainda perdura Ademais, o homem é produto do meio que está inserido. Em consonância a isso, o escritor e filósofo Jean de Léry, quando conheceu a cultura indígena ao visitar o Brasil, definiu um conceito de “Relatividade social”, no qual infere que a consciência coletiva é fortemente relativa às conjunturas ilustradas e presenciadas do espaço sociocultural. Nessa perspectiva, depreende-se que tal ideia exemplifica a homofobia, uma vez que os cidadãos, dentro de uma lógica homofóbica —que persegue, subjuga e erradica homossexuais como o menino Gabriel de 8 anos agredido até a morte pelo pai por ser “afeminado” no Rio de Janeiro em 2014— hostilizam aquilo: que lhes foram educados a abominar. Assim, em virtude da escassez de medidas eficazes, milhares de “Leonards” seguem materializados. Portanto, constata-se que a homofobia presente na subjetividade do homem institui desafios a superar. Para tanto, o Estado, por intermédio da verba pública, deve construir delegacias focadas em crimes contra a população gay, com intuito de atenuar a prática, além de aumentar a pena criminal para quem a praticar. Outrossim, o Ministério da Educação, deve incluir nas escolas, desde a tenra idade, cursos sobre homofobia, de cunho obrigatório em função de sua urgência, por meio dos profissionais do corpo docente, para que os brasileiros —por conseguinte— conscientizem-se. Feito isso, será vencida a homofobia e não viveremos mais em um Brasil análogo à repressão vivida por Matlovich.