Homofobia em questão no Brasil

Enviada em 06/07/2021

O racismo e a homofobia possuem similaridades em razão de serem classificados como um preconceito a um seleto grupo de pessoas. No entanto, há uma diferença crucial entre ambos, na qual, para o racismo, não há sequer uma explicação lógica para sua existência, mas, para homofobia, é muito comum ouvir que ser homossexual é algo inatural e que é contra a condição humana. Assim, é realçada a atual situação da homofobia em questão no Brasil, em que não somente sustenta-se em meio de movimentos políticos como o conservadorismo, mas também por argumentos rasos de que é algo maléfico para a espécie humana.

Em primeiro lugar, é importante esclarecer o conceito de conservadorismo, no qual baseia-se na ideia de defesa e manutenção das instituições sociais, como igreja, família e trabalho. Com isso, é previsível como a homossexualidade torna-se uma ameaça clara à maior instituição social do Brasil, conhecida como família, “quebrando” o padrão perpeatuado de um pai e uma mãe. Contudo, além da tradição, não há nenhuma outra evidência que justifique a repressão de uma família composta por um casal homoafetivo, enaltecendo a irracionalidade presente nesse nicho, no qual o amor entre duas pessoas do mesmo sexo é proibido baseado em um costume hereditário. Portanto, é explícito um dos grandes obstáculos perante a homofobia, da mesma forma que se demonstra a imoralidade em volta desse pensamento político.

Em segundo lugar, o fato da espécie humana se reproduzir entre duas pessoas de sexo masculino e feminino não deve ser um motivo para que se considere as relações homossexuais inaturais. Segundo Yuval Noah Harari - autor, antropólogo e filósofo - é algo completamente normal as espécies de animais se relacionarem com o mesmo sexo, inclusive, o autor afirma que qualquer coisa é natural por definição. Sob esse viés, é importante salientar que a homofobia origina-se de um contexto puramente social e não possui nenhuma propriedade científica para caracterizar a homossexualidade como algo inatural.

Destarte, com o objetivo de contribuir a reduzir a complexidade do combate à homofobia no Brasil, o Ministério da Saúde, em conjunto com o Ministério da Comunicação, instituições máximas do Estado responsáveis pela saúde e dos meios comunicação respectivamente, devem, por meio de um plano de ação, criar campanhas de conscientização em bairros através das unidades básicas de saúde, as quais os agentes terão papel crucial de realizar conversas, promovendo uma reflexão perante a homossexualidade entre os moradores. Somente assim, a homofobia, assim como o racismo, poderá passar a não ter tentativas de explicação lógica perante sua existência ou naturalidade.