Homofobia em questão no Brasil
Enviada em 31/07/2021
O personagem Eric, da série britânica “Sex Education”, muda todo seu modo de se vestir para tentar esconder sua identidade, após sofrer agressões físicas e verbais traumáticas, por medo do preconceito. Não longe da ficção, a prática da homofobia ainda é muito recorrente na sociedade brasileira atual, já que muitas escolas e famílias ainda mantêm a cultura do bullying enraizada, com agressores muitas vezes reproduzindo comportamentos dessa herança histórico-cultural. Nesse contexto, torna-se evidente a lenta mudança na mentalidade social, bem como o déficit na legislação.
Nessa perspectiva, há a questão sociocultural, que influi decisivamente na consolidação do problema. Conforme Durkheim, o fato social é a maneira coletiva de pensar. Sob essa lógica, é possível perceber que assumir a sexualidade é complicado, pois a população é fortemente influenciada pelo pensamento coletivo, uma vez que, se cresce inserida em um contexto social intolerante e opressor, a tendência é adotar esse comportamento também. Dessa forma, originou-se um preceito de anormalidade na junção de casais não heterossexuais, assegurando assim, condutas discriminatórias que causam danos permanentes às suas vítimas, o que torna sua solução ainda mais complexa.
Além disso, outra dificuldade enfrentada é a questão da lacuna legislativa. Conforme Aristóteles, a política tem como função preservar o afeto entre as pessoas de uma sociedade. Contrariamente, no Brasil, o movimento LGBTQIA+ não encontra o respaldo político necessário para ser devidamente reconhecido. Dessa maneira, pode-se considerar que a falta de representatividade em setores políticos é um empecilho na adoção de medidas para criminalizar esse preconceito no Brasil. Visto que, nenhum projeto de lei que indicie a repressão por orientação sexual foi aprovado no Congresso Nacional, revelando a negligência estatal com esta parcela da população.
Portanto, indubitavelmente, medidas são necessárias para alterar esse cenário. Para que isso ocorra, o Governo Federal, mediante o Ministério da Educação e Cultura, deve desenvolver palestras em escolas, a serem webconferenciadas nas redes sociais desses órgãos, por meio de entrevistas com pessoas de diferentes sexualidades, com o objetivo de estimular, desde a formação do indivíduo, o respeito à diversidade. Ademais, é urgente que se desenvolva uma lei punitiva e delegacias especiais para crimes dessa categoria, para que, por fim, a sensação de descaso diminua e a comunidade brasileira olhe para o outro com mais empatia.