Homofobia em questão no Brasil
Enviada em 08/09/2021
“O meu prazer agora é risco de vida”. Assim declarou o cantor e compositor Cazuza na música “Ideologia”, composta no fim do período de repressão e autoritarismo da Ditadura civil militar brasileira. Analogamente aos dias atuais, os atos de violência contra o grupo LGBT sequer diminuíram, ao contrário do que se esperaria com o fim desse período. Isso ocorre porque a falta de problematização do assunto e a existência de um sistema legislativo brando e negligente fazem com que esse flagelo não só persista, mas tenda a se agravar cada vez mais.
Nesse contexto, pode-se citar como um exemplo para essa problemática a obra literária “Simon vs. a agenda homo sapiens”, de Becky Albertalli. O livro acompanha a trajetória de Simon, um jovem homossexual que tem que lidar diariamente com o fato de sua sexualidade ser considerada “não usual”. Em determinado trecho da obra, Simon e o seu primeiro namorado, ao saírem juntos na rua, automaticamente soltam as mãos, e a reação natural do protagonista é pensar: “afinal, estamos na Geórgia”. Esse tipo de comportamento mostra o quão normalizado e incrustrado o preconceito está na nossa sociedade, o que é uma resposta à falta de discussão a respeito dessa temática.
Para mais, a falta de importância que é dada à questão pelo Estado, bem como as suas leis ineficientes e desidiosas, pode ser citada como como fator agravante. De acordo com o site Guia do estudante, o Brasil é o país que mais comete assassinatos contra travestis e contra transexuais. Isso é apenas um reflexo de um sistema legislativo falho e irresponsável, pois, se não há uma punição adequada e efetiva, entende-se que o crime não é grave. Assim, o governo inconscientemente dá “carta branca” à população – deixada no escuro, uma vez que o tema mal é discutido – para cometer tais delitos hediondos.
Dessa maneira, é dever do Governo Federal, como instância máxima responsável pela administração e bem-estar do corpo coletivo, remediar essa questão. É sua obrigação, portanto, promover campanhas de conscientização nas mídias sociais com objetivo de instruir a população da gravidade dessa problemática afim de conscientizá-la. Ademais, faz-se necessário que o Poder Legislativo altere a Constituição, visando agravar as punições relacionadas a crimes contra a comunidade LGBT, para que, assim, o comportamento apontado no livro de Albertalli seja desconstruído, e todos os Simons lá fora não precisem sentir medo de ser quem são.