Homofobia em questão no Brasil

Enviada em 30/10/2021

A obra “O Grito”, do artista norueguês Edvard Munch, coloca em destaque um ser que parece experimentar desconforto e pânico diante do desconhecido. Essa representação vai de encontro à ausência do estranhamento social diante da homofobia no cenário brasileiro, visto que, contrário ao pensamento do personagem, o corpo social não se indigna, sendo indiferente à resolução do problema. Dessa maneira, torna-se evidente que essa situação tem como origem a concepção conservadora, que desumaniza a comunidade LGBTQIA+ na contemporaneidade. Assim, não só a falibilidade educacional como também a passividade social intensificam esse quadro.

Dessa forma, torna-se claro que a falha educacional aprofunda a homofobia no Brasil. Esse cenário surge da educação escolar deficiente que promove uma metodologia conteudista e tecnicista, a partir de uma lógica capitalista volta para formação de mão de obra produtiva, padronizando comportamentos e crenças como elementos de adequação social. Nesse sentido, o que é tido como diferente torna-se pouco prestígiado e ridicularizado, disseminando expressivamente preconceito contra indivíduos homoafetivos.

Além disso, percebe-se que a passividade social intensifica a homofobia. Essa situação ocorre, pois, a sociedade por utilizar desse pensamento conservador, banaliza a problemática diante desse tema, com base em construções sociais de sexualidade e genêro. Tem-se como resultado dessa situação o isolamento social desta minoria, que normaliza as micro violações à sua individualidade, consolidando a disseminação de comportamentos homofóbicos.

Diante do exposto, é necessário perceber que a homofobia no Brasil se forma na concepção conservadora. Para combater essa vicissitude, é necessário que o governo federal por meio de um Plano Nacional de Combate à Homofobia que, a partir do Ministério da mulher, da família e dos direitos humanos, altere a Base Nacional Comum Curricular, ao propor, matérias de inclusão, tais como diversidade de genêro e sexualidade, no ensino fundamental e médio, a fim de humanizar e incluir homossexuais nos espaços sociais. Ademais, por meio desse plano, o Ministério da Educação forme uma aliança com empresas de comunicação, estimulados por incentivos fiscais, contribuam com a replicação de ideais de diversidade e inclusão sexual para a população. Assim, a obra supracitada não mais representará o comportamento intolerante da sociedade diante da homofobia.