Homofobia em questão no Brasil
Enviada em 29/10/2017
O Brasil é um dos campeões em crimes contra a população LGBT (Gays, Lésbicas, Bissexuais e transexuais). Em 2016 foram 343 homicídios registrados de indivíduos pertencentes a esse grupo minoritário, segundo um levantamento da ONG Grupo Gay da Bahia. Os crimes foram motivados por homofobia e transfobia. Nessa conjuntura, cabe pautar como a sociedade e o Estado corroboram a situação.
É cada vez mais comum a presença de debates, cujo tema diz respeito à sexualidade, em redes sociais, na mídia ou em uma simples conversa entre colegas de trabalho, nos quais a liberdade de expressão se confunde com o discurso de ódio e intolerância. A falta de respeito dos indivíduos com o outro e a crescente defesa dos “valores tradicionais” em território nacional tem sido usada como justificativa de agressões verbais, físicas e psicológicas contra os LGBTs, fazendo com que notícias como a do assassinato de um jovem universitário, em 2016, encontrado nu com sinais de espancamento, no campus da UFRJ, após ter recebido ameaças racistas e homofóbicas, estejam se tornando cada vez mais comuns na mídia.
Além disso, é pertinente ressaltar que a falta de punição em casos de discriminação motivada por orientação sexual, que mesmo quando registrados são enquadrados em outros tipos de delitos, perpetua a ideia de que tudo bem praticar tais atos, além de esconder a dimensão real do problema. Projetos de lei de criminalização da “LGBTfobia” apesar de serem de extrema importância para ajudar a coibir essa prática, continuam a ser barrados, como aconteceu em 2015, por deputados, principalmente os da chamada “bancada evangélica”, movidos por ideais religiosos, mesmo em um Estado, na teoria, laico.
Depreende-se, portanto, que medidas para atenuar a problemática precisam de ser tomadas. Assim, cabe a Escola promover aulas, debates e palestras conjuntas, expondo a temática da diversidade sexual aos alunos para que os futuros adultos compreendam melhor o mundo em que vivem e tenham mais tolerância. Ainda, o Ministério dos Direitos Humanos deve ampliar campanhas contra a discriminação voltada à orientação sexual utilizando-se da TV e redes sociais, dando voz a psicólogos que podem explicar como a sexualidade não é engessada e ser diferente é normal. Ademais, a comunidade LGBT precisa ir às ruas, não só na parada anual do orgulho gay, para exigir do Legislativo a elaboração e aprovação de uma lei específica que proteja essa minoria. Dessa forma, erradicar-se-á, em partes, os problemas relacionados à homofobia no Brasil.