Homofobia em questão no Brasil

Enviada em 31/10/2017

O filme “O Jogo da Imitação”, estreado esse ano, é uma cinebiografia do criptoanalista britânico Alan Turing, responsável por impressionantes avanços tecnológicos que colaboraram com vitória de seu país na Segunda Guerra Mundial e, consequentemente, com a salvação de milhões de vidas. Entretanto, o preconceito social fez com que o gênio fosse condenado e submetido à castração química logo em seguida, pelo simples fato de ser homossexual. Contudo, apesar de se tratar de um fato do século passado, essa discriminação ainda se arrasta aos dias atuais, e é responsável pela perseguição e morte diárias de muitos integrantes dessa minoria.

O ato de desrespeitar, excluir e/ou agredir membros do grupo LGBT’s (Lésbicas, Gays, Bissexuais, Transgêneros e afins) é caracterizado como homofobia e pode surgir a partir de diversos fatores. O principal deles, no entanto, é o fanatismo religioso. A interpretação de que algumas religiões condenam a prática homoafetiva é fortemente influenciada por perseguições medievais que as igrejas realizavam ao grupo, alegando que este era um ato contrário à Palavra Sagrada. Porém, séculos à frente, o próprio Papa Francisco, líder religioso, já alegou que isso é um tipo de violência que não pode ser tolerado.

As ações discriminatórias relacionadas a questão têm sido cada vez mais graves. De acordo com o site ESTADÃO, a cada hora um gay sofre alguma violência no Brasil, como espancamentos, estupro e até morte. Além disso, os maiores alvos de agressão são os jovens, fato que colabora com a não aceitação da orientação sexual de seus filhos pelos pais.

Nesse contexto, muito se tem discutido sobre essa realidade e as consequências dela. Um exemplo disso são as abordagens levantas esse ano com o projeto de lei PLC 122/06 que torna crime a discriminação de pessoas por “gênero, sexo, orientação sexual e identidade de gênero”. Outro avanço foi mobilização de grandes empresas no dia 17 de maio, nomeado de Dia Internacional Contra a Homofobia. Marcas mundialmente conhecidas levantaram a bandeira colorida (símbolo do grupo LGBT’s) e fizeram seus protestos contra o preconceito.

Em síntese, embora se tenha progredido muito em 2017 sobre a questão, o extremo conservadorismo de algumas ideologias impede uma evolução maior. A partir de então, é recomendado que as interpretações religiosas sejam postas de lado e a laicidade do país seja colocada em foco para que o projeto de lei PLC 122/06, atualmente arquivado, seja sancionado. Ademais, ações políticas devem procurar manter contato direto com a população, por meio da mídia, procurando minimizar protestos contra os governos devido a lentidão quanto à prevenção dos casos de violência que mais afetam a sociedade.