Homofobia em questão no Brasil

Enviada em 29/10/2017

O conceito de família e sua formação, no Brasil, mudaram-se ao longo das últimas décadas. Essa questão ficou em evidência nos últimos anos, principalmente, quando foi enviada ao Senado Federal a proposta de Lei PL 122 que criminalizava a homofobia no país, mas foi recusado pela bancada mais conservadora presente. Neste sentido, é observado que a falta de normas para auxiliar essa minoria representa um retrocesso no respeito à diversidade, sendo necessária a aceitação da queda dessa base patriarcal e à evolução social, que está, permanentemente, em mudança.

É relevante abordar, primeiramente, a visão histórica que foi perpetuada por gerações sobre essa questão. Na Segunda Guerra Mundial, por exemplo, gays foram mortos por não serem considerados o padrão ‘’ariano’’ necessário para a manutenção de uma sociedade alemã perfeita. Esse pensamento homofóbico é ressaltado também no Brasil, desde o século XIX, em “O cortiço”, que personagens lésbicas foram consideradas doentes. Dessa forma, esses exemplos trazem à tona o reflexo de um pensamento de parte da população mais tradicional, que não reconhece os direitos dessas pessoas e desconsideram estes como um núcleo familiar.

Sob esse viés, é relevante abordar que não existe uma lei que proteja essa minoria de violências e ataques verbais: Não é sobre ter uma liberdade de expressão, mas sim, a tentativa de imposição, a partir da agressão, de tentar mudar a sexualidade do outro ou difamar sua imagem para que a vítima se sinta envergonhada. Assim, graças à ausência de normas governamentais, o Brasil torna-se o país que mais mata pessoas dessa comunidade no mundo. De acordo com dados do Grupo Gay da Bahia, um brasileiro é morto a cada 27 horas pelo fato de pertencer à comunidade. Desse modo, o governo brasileiro colabora para que esse preconceito continue sendo disseminado na nação por décadas.

Fica evidente, portanto, que não se pode aceitar um retrocesso nos ganhos que a sociedade já tem. A existência de diversas orientações sexuais é uma realidade e a discriminação deve ser superada. Primeiramente, é preciso que o senado aprove a lei PL 122 para que essa minoria seja de fato protegida e seus direitos garantidos na Constituição Federal de 1988 sejam colocados em prática. Somado a isso, é necessário a criação do projeto “Família nas escolas” pelo Ministério da Educação, no qual os responsáveis pelos alunos são convidados a participarem, uma vez por mês, de dinâmicas, workshops e palestras, em que serão debatidos temas como o respeito às diversidades sexuais que existem no país, incluindo toda a comunidade nesse ideal de mudança cultural. Dessa maneira, em longo prazo, esse pensamento será modificado e o respeito será base de uma nação que respeita as mais diversas formas de amor.