Homofobia em questão no Brasil

Enviada em 29/10/2017

O fenômeno do homossexualismo que hoje é visto por algumas pessoas com certe repulsa, em sociedades antigas eram toleradas. Na Grécia, por exemplo, as relações homossexuais eram, inclusive, vistas em uma posição hierarquicamente superior às relações heterossexuais. No entanto, foi durante a idade Média que a homossexualidade passou a ser oprimida, devido principalmente à influência de fatores religiosos. Nesse sentido, ainda hoje vigore um forte preconceito e intolerância no que tange a questão da homofobia no Brasil, seja pela lenta mudança de mentalidade social, seja pela insuficiência das leis.

Em um primeiro plano, é importante ressaltar que a apatia pela comunidade LGBT (lésbicas, gays, bissexuais e transexuais) pode ser considerada um reflexo do passado patriarcal do país. Segundo Albert Einstein, é mais fácil desintegrar um átomo do que um preconceito enraizado. Sob tal ótica, é indubitável que as relações estabelecidas em patamares desiguais aliadas aos dogmas cesaropapistas amplamente difundidos nos séculos passados ainda se fazem presente. Desse modo, aqueles que por algum motivo não se identificam com o sexo biológico enfrentam uma sociedade conservadora que não consegue compreender a singularidade e individualidade de cada um.

Outrossim, cabe salientar que mesmo sendo um avanço a conquista de diversos direitos no âmbito jurídico- como a garantia ao casamento civil por casais homoafetivos-, ainda é preciso assegurar a vida e dignidade desses indivíduos. Lamentavelmente, a morosidade do Senado frente a um projeto de lei de criminalização e equiparação da homofobia ao racismo, tornando-o inafiançável, fomenta atos de violência contra essa população. Posto isso, é dever do Estado salvaguardar os homossexuais bem como combater, de fato, a homofobia, uma vez que sua persistência pode gerar um ciclo ainda mais vicioso de segregação social, nocivo à democracia vigente. Afinal, como citara o Filósofo Boaventura de Souza Santos, temos o direito de ser igual quando a nossa diferença nos inferioriza, assim como temos o direito de ser diferentes quando nossa igualdade nos descaracteriza.

Urge, portanto, que as esferas sociais cooperem para mitigar práticas homofóbicas. Logo, a mídia deve usufruir de seu poder de persuasão promovendo ficções engajadas que abordem o tema, com o fito de desmistificar e elucidar o preconceito e o pensamento conservadorista dos adultos brasileiros, que consequentemente poderão influenciar seus filhos a respeitarem a diferença de gêneros e a preservar a harmonia social no país. Por fim, cabe ao Poder Legislativo agir com maior rapidez e aprovar as propostas de lei que efetivem as penalizações a quem praticar a homofobia. Quem sabe, assim, o fim da violência para com os LGBT´s deixe de ser uma utopia para o Brasil.