Homofobia em questão no Brasil

Enviada em 30/10/2017

Em 2017, países como a Rússia e o Peru condenam por meio de prisões os homossexuais que residem em seus territórios. No Brasil, apesar de o quadro não ser tão grave como nos países anteriores, ainda é presente um preconceito enraizado na sociedade brasileira à comunidade LGBT, que é preservado pela falta de leis que o punam e por um contexto de subjugação aos integrante de tal grupo, por parte de uma parcela do setor conservador e cristão da sociedade brasileira.

A sigla LGBT significa “lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais”, e, politicamente, o grupo não possui a representação legislativa necessária, permitindo assim, por meio da falta de leis, a manutenção da violência. Ao longo da história brasileira, a comunidade LGBT elegeu deputados que os representassem como o Clodovil, Jean Wyllys e outros políticos. Porém, apesar disso, tais membros do legislativo não conseguiram criar e aprovar leis que protegessem o seu eleitorado, pelo fato de terem sido minoria numérica no Congresso Nacional. A consequência é que, atualmente, ainda não existe uma lei que criminalize os atos de intolerância à diversidade sexual e, por fim, tal situação acaba gerando a existência de dados como o do Grupo Gay da Bahia, GGB, que afirmam que, de janeiro à maio de 2017, 117 LGBTs foram mortos devido à homofobia, ou seja, um assassinato a cada 25 horas.

Além disso, um grande contribuidor para a existência de tal preconceito é a pressão social e cultural exercida por uma parcela da igreja e do setor conservador brasileiro. No Brasil, país majoritariamente cristão, ramificações do cristianismo e grupos conservadores repudiam a existência de homossexuais, através de uma interpretação literal de certas passagens bíblicas. A consequência é a supressão da identidade cidadã e humana do indivíduo LGBT, que acaba sendo tratado como aberração e, dessa forma, o ato do preconceito é permitido e realizado por meio do dogma religioso.

Em suma, é notório que a questão LGBT no Brasil necessita de resoluções. A comunidade LGBT, em conjunto com civis que apoiem a causa, devem por meio de articulações políticas, realizar manifestações e passeatas pacíficas, que exijam de forma intensa ao Poder Legislativo a criação imediata de um Estatuto do LGBT, em que atos homofóbicos sejam classificados como crimes e a punição de tais crimes varie de indenizações às vítimas, até, em casos mais graves, a encarceramento dos criminosos. Além disso, o Ministério Público deve, por meio de investigações em igrejas que incentivem o ódio e o preconceito aos indivíduos LGBT, punir líderes religiosos responsáveis pela interpretação homofóbica da bíblia e realizar, com a ajuda de representantes da comunidade LGBT, um processo de desconstrução do preconceito existente entre os fiéis.