Homofobia em questão no Brasil

Enviada em 31/10/2017

Já afirmava Claude Lévi-Strauss: “O mundo começou sem o homem e poderá acabar sem ele”. Nessa perspectiva a sociedade presencia um paradoxo, uma comunidade teoricamente tolerante, em contrapartida, as ações e pensamentos arcaicos vigorantes. O homossexualismo sempre esteve presente na história humana, sendo condenado ou aceito, dependendo das ideologias da época. Dessa maneira, surge a problemática da homofobia, a qual persiste, ligada intrinsecamente ao pensamento humano, ora pela ineficácia das leis, ora pela lenta mudança na mentalidade de fração social.

É indubitável que o desamparo estatal seja fator súpero sustentáculo da problemática. Para o eminente filósofo Hobbes, o homem em seu estado de natureza torna-se seu próprio lobo, carecendo de um poder centralizado para ministrar harmonia. De forma análoga, tal pensamento é rompido, haja vista que o Estado não atua de forma coerciva na proteção do homossexual, como, por exemplo, a inexistência de leis que caracterizem a homofobia como crime. Não obstante, o opressor sem receber a punição adequada continua com seus atos- o Estado não detém  o lobo.

Outrossim, a lenta mudança na mentalidade de parcela social recrudesce a homofobia. Jorge Amado, em seu livro “Capitães da Areia”, descreve o cotidiano de uma sociedade de meninos  de rua, no qual casais homossexuais eram expulsos do grupo. Metáforas a parte, é exatamente o que se sucede nas comunidades atuais, o homossexual é excluído por preceitos de outrora, corroborando o caráter intolerante coletivo.

Infere-se, portanto, a necessidade de mudanças governamentais e sociais. O Poder Legislativo, a fim de atenuar a problemática deve tornar a Legislação mais rígida, criando uma lei que caraterize a homofobia como crime, e não enquadrando violências físicas ou verbais contra homossexuais em leis pré existentes. Em conjunção, a sociedade deve tomar consciência de seus atos, paulatinamente, visando o bem comum.