Homofobia em questão no Brasil

Enviada em 31/10/2017

Nas últimas décadas, a homossexualidade tornou-se um assunto intensamente debatido por diversas nações. No que tange à realidade brasileira, embora a comunidade LGBT venha conquistando espaço ao assegurar alguns direitos, a homofobia – que trata-se da aversão aos homossexuais – ainda é um problema pertinente. Dessa forma, visando conter os altos índices de violência contra LGBT’s, leis estão sendo cogitadas para punir esses crimes. Todavia, esse ódio tem como pilares a educação falha e o fundamentalismo, denotando que apenas punir não garantirá o respeito a essa minoria.

Os crimes de ódio contra homossexuais têm feito muitas vítimas e é indubitável que as deficiências educacionais tenham, mesmo que indiretamente, uma parcela de culpa nessa problemática. Segundo estatísticas levantadas pelo Grupo Gay da Bahia, o Brasil tem o maior número de casos de violência contra LGBT’s no mundo. Apenas em 2013 foram registrados 312 assassinatos relacionados à homofobia, ou seja, um homossexual morto a cada 28 horas. Essa intolerância tem como base uma educação que, ao não imbuir o desenvolvimento do senso crítico e analítico dos estudantes, corrobora a propagação da ignorância.

Para o filósofo iluminista Voltaire, a intolerância é concebida através da irracionalidade. Dessa forma, a ignorância, que nada mais é do que o mau uso da razão, converte-se nos alicerces do fundamentalismo, sendo este o precursor direto do ódio à comunidade LGBT. O homofóbico, fundamentado em dogmas religiosos e conservadorismo exacerbado, encontra em princípios arcaicos e em interpretações equivocadas da biologia sustentação para sua hostilidade contra homossexuais. Nessa conjuntura, evidencia-se que o combate à homofobia apenas com punições severas não resolveria o problema de forma definitiva, haja vista que a intolerância está ligada a concepções retrógradas enraizadas no senso comum.

Destarte, a questão da homofobia no Brasil deve ser tratada pela tríade punir, educar e conscientizar. Para tal, cabe ao Poder Legislativo e ao Ministério da justiça, respectivamente, conceber leis severas que criminalizem agressões a homossexuais e delegacias especializadas nesse tipo de crime. É imprescindível, também, ao Ministério da Educação dar ênfase ao senso crítico dos estudantes, colocando na grade curricular mais pautas relacionadas a questões sociais, afim de imbuir o racionalismo e coibir o fundamentalismo. A Mídia, por sua vez, através de campanhas na TV e nas redes sociais, deve conscientizar a população sobre o assunto. Com essas medidas, a erradicação da violência contra LGBT’s será uma realidade, possibilitando que exerçam sua cidadania de forma plena.