Homofobia em questão no Brasil

Enviada em 01/11/2017

O pensador iluminista Rousseau, em uma célebre frase, diz: “O homem nasce livre e por toda parte encontra-se acorrentado”. Fazendo um paralelo com o cenário brasileiro, constata-se que as minorias LGBT encontram-se aprisionadas pela opressão e discriminação de atitudes e modos conservadores da sociedade. Mediante a este fato, nota-se que a intolerância a essa classe possuí raízes históricas e sociais.

Em uma primeira análise, analogamente ao pensamento do filósofo, “as correntes” existentes que comprometem a liberdade de pessoas LGBT é fruto do moralismo de um padrão cis heteronormativo - norma social que estabelece o perfil heterossexual como o correto - imposto socialmente. Visto que, ao longo da historia, a Igreja, com a disseminação de seus dogmas, acabou contribuindo para a formulação de um modelo de relacionamento “Adão e Eva”, reforçado pelo patriarcalismo, casamento entre homem e mulher, que se perpetua até hoje. Consequentemente, é inegável que tais fatores acabam propagando aversão, agressão, repressão e a condenação a quem fuja desse molde “perfeito”, tornando-os vítimas da intransigência do tido como “correto” socialmente. Por conseguinte, há a violação constante contra a vida de pessoas que possuem uma orientação sexual diferente do arquétipo considerado como o certo.

Por decorrência disso, são alvos do forte preconceito e da brutalidade da coletividade, como mostra o relatório do Grupo Gay da Bahia, o qual expõe os altos índices de violência para com esse grupo, cerca de 343 mortes só em 2016. Desse modo, evidenciando a violenta realidade do Brasil, fazendo-o campeão de crimes contra as minorias sexuais.

Com essas constatações, é notório a necessidade de ações que mitiguem esse quadro de homofobia do país. Portanto, cabe ao Ministério da Educação, em parcerias com a mídia, a criação de projetos que atenuem o padrão cis heteronormativo e, por sua vez, a intolerância. Isso poderá ser realizado com a produção de programas educacionais televisivos, abordando a questão da orientação sexual e a importância do respeito pelos minoritários, visando o combate ao preconceito e a conscientização da população a cerca da existência e preferência das pessoas. Além disso, é imprescindível que o Poder Legislativo criminalizem tal ato, equiparando ao crime de racismo, já que ambos crimes afetam a integridade do próximo. Dessa forma, contribuirá para a minimização da problemática e promoverá uma maior tolerância, livrando todos das amarras - preconceitos - sociais.