Homofobia em questão no Brasil
Enviada em 01/11/2017
O Brasil, em 1988, foi marcado pela promulgação da Constituição Cidadã, um dos ápices do processo de redemocratização no país, e, com ela muitos direitos humanos, sociais e políticos foram restituídos e outros, criados. Porém, passados mais de 30 anos de democracia, a parcela da população brasileira composta por pessoas de orientação não heterossexual continua marginalizada da sociedade, de modo que muitos desses indivíduos terminam como alvos de violências. Uma vez que, no país, há uma interpretação distorcida da religião cristã, preconceitos que afirmam uma suposta inferioridade desse grupo e, também, pela ausência de uma legislação que atue contra a homofobia.
Dado que a nação brasileira foi colonizada por portugueses católicos, é de se esperar que a sociedade daqui apresente uma mentalidade com traços do cristianismo. Todavia, nota-se que a interpretação dos escritos bíblicos; sem levar em conta, rigorosamente, a hermenêutica e a exegese que deveria ser aplicada neles; tem produzido uma forma de justificação de atos de homofobia, perpetuando a prática de abusos contra minorias, como homossexuais.
Ademais, atualmente há no Brasil uma propagação de ideias neonazistas, as quais sugerem a superioridade de uma determinada “raça” de humanos, apresentando a formação de alguns grupos pelo território brasileiro. Diante desse fenômeno, tais grupos passam a considerarem minorias sociais como gays e lésbicas como inferiores, pregando a violência contra estes como modo de “purificar” a nação, por conseguinte, tem-se estatísticas como a de 312 homossexuais mortos, em 2013, segundo o Grupo Gay da Bahia.
Deve-se pontuar, também, que a inexistência de leis no Brasil que qualifiquem a prática de homofobia como crime acabam gerando uma ausência do Estado nesse assunto. Se for levada em conta a noção de Thomas Hobbes, de que o Estado seria uma forma de trazer ordem e paz aos homens, percebe-se que em matéria de ocorrência de violência contra homossexuais e outros direcionamentos sexuais, tal carência de leis permite a continuidade desse contínuo caos na vida de vários brasileiros.
Em vista a tal realidade, cabe às Igrejas Católica e Protestantes criarem cursos de estudo bíblico, ensinando a seus fiéis sobre a necessidade de amar a todos e, assim, combater a prática de violência contra grupos não heterossexuais, permitindo a convivência pacífica entre esses grupos. Já as escolas em parceria com as universidades devem promover aulas e debates para seus alunos sobre a igualdade de todos os indivíduos, coibindo desse jeito, a propagação de ideias neonazistas no país e protegendo minorias. Por fim, é necessário que o Estado crie leis que considerem crime a homofobia e, dessarte, mitiguem tal prática e ampliem a proteção à todos os cidadãos da nação brasileira.