Homofobia em questão no Brasil
Enviada em 04/11/2017
Em sua canção “Imagine”, lançada em 1971, John Lennon eternizou a esperança de que um dia a humanidade pudesse se unir e viver em paz. Quarenta e seis anos se passaram e as lutas por igualdade de direitos continuam. Neste contexto, a homofobia tem sido assunto de importante debate na sociedade brasileira, tendo em vista não só a violência contra o público LGBT, como também o preconceito diário sofrido por estes; que é apontado como principal causa de suicídio entre jovens homossexuais. Destarte, convém uma análise mais detalhada a cerda desta problemática.
De acordo com a organização Grupo Gay da Bahia, nos últimos quatro anos, 1,6 mil pessoas morreram em ataques homofóbicos no país. Além disso, a Secretaria de Direitos Humanos registrou, apenas em 2013, 3.398 violações relacionadas à população LGBT que incluem agressões, espancamentos, e até os chamados “estupros coletivos”. Fica evidente, pois, a extensão preocupante da violência derivada da homofobia.
Segundo o filósofo Jean- Paul Sartre, “toda forma de violência será sempre uma derrota”. A partir desta perspectiva, é possível afirmar o quão alarmante tem sido a derrota sofrida pela sociedade brasileira vítima desse preconceito, uma vez que ele é responsável pelo suicídio de jovens homoafetivos. De fato, o Grupo E-Jovem aponta para uma taxa anual de suicídio, entre adolescentes LGBTs brasileiros, superior a mil, o que ultrapassa a média internacional. Portanto, no Brasil, devido ao forte preconceito social em torno da homoafetividade, uma porcentagem relevante de jovens se suicida.
Dado o exposto, medidas são urgentes a fim de coibir atos homofóbicos e reduzir o índice de suicídio da população LGBT. É imperioso, por parte do Poder Legislativo, criminalizar as manifestações de homofobia e atitudes de ódio contra os homossexuais. De certo, uma lei específica ajudará no combate a essas agressões, sendo um instrumento de prevenção. Ademais, as ONGs possuem papel importante ao orientarem a população – por meio de palestras escolares e divulgações na mídia – sobre a diversidade sexual, com intuito de diminuir o preconceito que, por sua vez, contribui para uma maior aceitação familiar, vital para acolher jovens e ajuda-los a lidar com sua orientação sexual, a fim de diminuir casos de suicídios. Dessa forma, será possível minimizar a derrota causada pela violência, descrita por Jean-Paul Sartre.